domingo, maio 14, 2006

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Sobre o egoísmo. Para começar eu não conheço pessoas sábias que sejam egoístas. Parece meio óbvio, não? Mas não é...Nosso tempo produz crianças inteligentes que acoplaram a sua moral um tipo de bloqueio a consciência de si mesmas. Explico: elas não se enxergam como egoístas. Elas agem como se seus respectivos problemas fossem únicos e imensurávelmentes piores do que de qualquer outra pessoa. Agora veja: cada criança dessa não desenvolveu uma gama de sinapses para conviver (de preferência bem) com outras pessoas. Tolerar defeitos e qualidades alheias e lidar com as sensações derivadas: isso requer humanidade, isso requer sorriso sereno no rosto e sabedoria. Entretanto os respectivos campos de ação dessas crianças, ou seja, seus 'mundos', são medíocres quando não microscópicos...bem menores que seus próprios umbigos. Assistiram tantas poucas coisas e dessas poucas tiraram conclusões megalômanas...Elas são tão frágeis...não suportam um vento mais forte que buscam um agasalho. Lembro a frase do sr. Brecht: "É fácil conhecer os homens. Na guerra, as crianças choram." Utilitarismo...tudo bem, sr. Mill e sr. Bentham...mas os dias que se aproximam, mesmo 'decadentes' precisam de mentes mais apuradas e sensíveis...coisas que essas 'crianças' não possuem...e o sistema natural de seleção irá regular suas vidas...aproveitar de seus medos e incertezas...e acima de tudo de sua ignorância (seja intelectual, sentimental, espiritual, etc.) com relação ao mundo que mais se aproxima da realidade e irá dizimá-las. Eu também sou egoísta. Todos somos? Será? Temos como mensurar? Tecnologia para tal? Basta olhar para o lado...e discernimento. Creio que podemos sim, com inteligenciasensibilidadetecnologia desmistificar essa força que dá ao egoísmo toda essa importância...O egoísmo é um acompanhante não-desejável para o século XXI. Há muitos egoístas, e eles são todos além de idiotas, mentecaptos. Todos aqueles que consideramos úteis a nossa evolução compartilharam seus feitos, suas obras e suas idéias...e não se esconderam atrás de seus medos...não se acovardaram. Aquilo que contaram à essas crianças que é contabilizado como inteligência, está longe de ser qualitativamente inteligência e elas precisam de muito mais pra sobreviver. O futuro da natureza humana...sr. Habermas.

Dedico esse post ao sr. Adorno e a meu amigo Mal.

2 comentários:

Pietro disse...

Caro amigo Thiago, até que enfim consegui lhe deixar um comentário. Primeiro adorei as aspas na "criança", e seria exagero pensarmos que nascemos cegos para criarmos uma realidade mais humana, uma vez que a realidade é imensamente irreal e o irreal pode ser também real, seria tudo culpa da evolução e seus preceitos que de tão fortes fica dificil derrubar os conceitos. Olha, mesmo que não seja belo esse ditado popular parece cabível: "Em terra de cego, quem tem olho é Rei", basta uma interpretação diferenciada que ele serve.

Grande Abraço, e continue como um grande observador!

Deucrécio Inóspitio disse...

O que é o futuro?
Pixels pulsantes, verdes e vemelhos, movendo-se erraticamente por uma tela e aglomerando-se em formatos maiores?
O abraço espiralado do genoma?
Pixels brancos no céu do méxico, aglomerando-se em formatos maiores?
A imagem do Chip de silício e a esperança quântica?
Pixels caóticos armados de Ak 47 caseiras, se auto-organizando por milhares de decisões individuais, gerando um padrão, a partir de ações "descordenadas" com valores comuns; Seriam estruturas emergindo do caos, RESULTADO de um pacto tácito(citado) e inconsiente, "abençoado" pela glória da ignorância egoista utilitária alegre e propagada pelo stalinismo falacioso e capenga posto,deslumbrado e expandido pelo capitalismo "sem amarras"?
O barulho da multidão não pode ser negado, muito menos limitado a experiência estética (como Joyce em os Dublinenses, como último recurso esquizofrenico), mas sim interpretado como o vislumbre da concretização dos ares destroçados que ainda mantêm o moinho girando.