quinta-feira, agosto 10, 2006

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De certo...não faz sombra nesse campo. Deito bem debaixo desse sol e deixo ele me queimar. Minha pele é humana. Sofre e arde na luz. Transpiro e brilho com o astro. Com a lua é diferente. Cada noite é um descanso. Faz frio mas eu me levanto e canto. Sou tão mais humano com a luz do luar. Até chegar o dia...de certo não faz diferença quem sou na noite no dia. Faço muito bem aos dois movimentos. Recuo sempre que posso para desabafar e pensar um novo amanhã sem dores. Com os novos amores eu me deixo queimar. Deixo o dia dormir. Permito a noite dançar com meu sonho mais modesto de guiar o tempo. O momento que não pode ser meu, agora é, pois vive na minha mão o sentido que dou ao lento e veloz vento. De certo eu vou morrer. É um fato, não nego. Não quero deixar de morrer, não contesto. Meu dia vai chegar...mas hoje eu quero a noite: uma bem sensível e que não saiba dos verbos que carrego e sim dos adjetivos que se aproximam do que sou. Eu quero uma noite, de certo. Para viver em sombra e de perto ver a luz...a qualquer hora.

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