domingo, dezembro 30, 2007

162

Com calma, eu tiro os anzóis dos dedos do filho do patrão. Ele me olha com confiança e eu com medo digo que não vai doer nada. Pouco pode-se esperar de um semi-analfabeto e esse rapaz confia no pouco que eu sei. O anzol foi retirado, alívio para ambos. De volta a casa do seu Patrão eu ouço um rebuliço lá de dentro. Os patrões estão discutindo sobre algo. Estou me aproximando e entendo que o problema é a minha presença que acaba por constranger as crianças porque eu ando armado, segundo a dona Simes. O velho Patrão nitidamente desnorteado sabe que me tirando daqui atrapalharia muito sua vida (fora o rabo preso que ele tem comigo quando o encontrei com a irmã mais velha da dona Simes.). Ele viu que estava ali e logo me convidou para sentar. Disse dos meus valores e prestividade para depois me propor um novo emprego junto a um amigo na cidade. Eu queria ir embora mesmo e então foi nessa oportunidade que fui. Arriei o cavalo, peguei um cobertor e um saco com paçoca. Uma mala velha de minha avó e algumas reservas para quando chegasse lá tivesse onde dormir. Acendi um paieiro como despedida, coloquei o chapéu e pensei que eu não deveria ter recusado a maçã da dona Simes. Com 25 anos pra completar em um mês, não é coisa de homem fugir do destino. O meu era ser alguém mais que meus ancestrais. Um caso sério que deu ceerto na vida e devolveu a família todo tipo de riqueza que o trabalho trás.

161

De um lado vi ramos, do outro, cascas. Nada que plantasse ali poderia não brotar. Os cascos do cavalo Tristão já gastos e com fissuras como a dos meus calcanhares sujos de terra. Ali no alto do corgo, um lobo guará foi encontrado ainda filhote e criado pelas crianças da fazenda. Um dia seu Patrão me chamou e eu dei cabo do serviço para lá da represa. As crianças choraram umas pela perda outros pela morte. Dona Simes trouxe lá da boqueirão dois gatos dentro de uma saca de arroz sujo que devolveram a alegria da Maria e do Pedro. Parece que eu matei a felicidade deles e não do lobo.
Pouco antes da hora do passeio à cavalo pela dona patroa, era comum eu avisar a criada Ester para arrumar uma pequena cesta para que levasse na cavalgada. Eu a acompnahava a pedido do seu Patrão e geralmente fazia o caminho com mais sombra que chegaria há um grande salgueiro, lugar este, onde acostomava a deitar um lençol azul claro. Puxava um livro de seu embornal e perguntava para mim e se queria uma "maça saborosa". Dona Simês ficava pouco menos de dez minutos e já começava a dormir. Quando via que estava já em roncos, deixava-a um pouco para fazer minhs necessidades. No agachar no meio do capim é comum a presença de moscas e formiga. É preciso aproveitar as folhas que estão à mão nomomento, que não seja sendo urtiga ou carrapicho, para fazer uma boa limpeza. De volta à fazenda, uma parede branca, imensa e coberta por janelas de madeiras pintadas de azul escuro. Aqui na fazenda, eu ainda faço mais trabalho para juntar dinheiro para a passagem. Quero ir para fora dessa terra e encontrar o que não achei em mim. Nem o nome que escolheram para mim - Hadilson - corresponde como o meu jeito de ser, viver e escolher.
Lá na ponta da represa tem um altar coberto que parece uma caverna que demorei uma semana para fazer. Hoje só tem pedaço de Santa Bárbara e o as velas que acendi ao longo do tempo, mas eu vou assim mesmo pedir com fé à Mãe Imaculada que me leve para fora desse mundo e me deixe viver em outro. Por mais de 25 anos esssa oração me persegue e eu não desisto. O meu próximo plano é pregar placas na estrada de terra indicando o caminho para a fazenda. Queria fazer a mesma coisa para mim. Placas que me dissessem para onde eu ir...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

160

Ilusões de cicatrizes. De dia faz noite. Minha vontade não chega tão longe e então as ambições não vão muito longe. Convites esgotados para a festa de despedida dos meus neurônios sãos. Alegria e alegria. O frio que você não sente e me congela todos os dias. Pode o amor ser mais sincero ou tudo é questão científica? É preciso tangibilidade, a prova presente e o fato apurado. Sintonias a parte, por que tão distante? Foi um pouco mais de fiasco de uma noite de balada? Contente vou ficar ao saber que o nada corta e escorre solidão. Vá e veja. Amanhã é privilégio de quem tem presente. E nesse fim de ano eu não estive...presente.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

159

sim, catástrofe.
do Lat. catastrophe katastrophé

s. f.,
desfecho de uma tragédia;
grande desgraça;
calamidade;
fim lastimoso.

É Natal. Capitalistamente(sic) e Religiosamente correto.
No entanto eu sinto a presença de uma catástrofe...
Está tudo muito quieto no "sistema internacional"...
Sobreviveremos ao movimento catastrófico? Sim.
Afinal, Já chorava Nelson Gonçalves as letras de Cardim:

"Quem sou eu pra ter direitos exclusivos sobre ela
Se eu não posso sutentar os sonhos dela
Se nada tenho e cada um vale o que tem"

domingo, dezembro 02, 2007

157

NESCHAMAH

Já faz tempo que não vejo sorrisos no espelho...
Nem os gafanhotos que eu brincava
pairam mais na minha frente.
A flor vermelha que eu colhia ,
A flor que eu não deixava viver ...
O cheiro do mar
Que quase não via.
A febre e o delírio,
O som do vento na fresta da janela,
Cegam-me hoje.
Do que eu via no céu
Ainda resta Plêiades e o Cruzeiro.
Na minha vida,
O passado é minha eterna casa.
O meu amor distante
Em alguma dimensão,
Visita-me entre os sonhos.
O amargo,
Que sobrepõe o doce,
Na minha boca
Que um dia experimentou o gosto de lágrima.
Não tenho caixinha de músicas
Para que possa lembrar da melodia.
Mas tenho seu sorriso,
Para quando eu fechar meus olhos,
Ter a mais bela e eterna sinfonia.
Não tenho mais "boa noite, durma bem"...
Ainda devo aos anjos de minha vida,
Moeda amor.
E é difícil falar de amor,
Mas eu ainda o sinto.

2001

Para Elaine.

domingo, novembro 11, 2007

156

Watching love grow, forever. Excelente cover do Radiohead para a banda do Ian.



Ceremony - Joy Division

This is why events unnerve me,
They find it all, a different story,
Notice whom for wheels are turning,
Turn again and turn towards this time,
All she ask's the strength to hold me,
Then again the same old story,
Word will travel, oh so quickly,
Travel first and lean towards this time.

Oh, I'll break them down, no mercy shown,
Heaven knows, it's got to be this time,
Watching her, these things she said,
The times she cried,
Too frail to wake this time.

Oh, I'll break them down, no mercy shown,
Heaven knows, it's got to be this time,
Avenues all lined with trees,
Picture me and then you start watching,
Watching forever, forever,
Watching love grow, forever,
Letting me know, forever.

quinta-feira, novembro 08, 2007

155

banzo e sigur ros. Quero retornar assim que os robôs de guerra entrarem em ação...Quero a ausência de Terra, Snoopy! Pouca gente (essa gente que mora por perto) reconhece a dimensão de Staralfur ou Vaka. Vocês não possuem o hábito da neofilia e fazem sim, votos de xenofobia a qualquer não-semelhança com o que lhe disseram que é 'seu' mundo. Portanto, caras imitações...derretam mais velas e continuem dependendo da gasolina...
Hopippolla está em função do que?
Do cheiro do "0" (zero)...
Não está na sua memória, sua cópia da imitação "genética" de uns outros do passado.
Que dia levantará desse conjunto de carne para um nada novo...que consciência preguiçosa a sua, não? Desse pecado eu não padecerei...A mediocridade que me é reservada fica na Terra, porque entre o que você não sabe e o que te contaram, fica meu caminho. Von para os senhores e os escravos... e Hafsol que parece com um planeta, ou melhor, com aquilo que seu sistema neurológico pulsa por "planeta". Silêncio! No espaço reina o NÃO.

Eu: Isso é uma estrela?
Espaço: Não.
Eu: Isso sou eu?
Espaço: Não.
Eu: Sim?
Espaço: Não.


sábado, outubro 27, 2007

154

O estado de exceção de todos os dias. Para estar a seu lado, o veneno que que mora no meu sangue e corre do coração para a cabeça não pode transbordar. Para não te incomodar, tomo do meu próprio excesso de veneno todos os dias e tudo isso é para viver bem com os 'meus' vizinhos. É tudo bem combinado e claro dentro do covil dos parvos.
É um estado de exceção, meu bem.
Todos os dias engulo muitas doses de ódio para que este não polua o meio ambiente. É minha parte para não destruir a natureza de ninguém. Ser o que eu sinto se apresentaria como um dano irreparável a vida de dezenas de pessoas.
Entretanto, eu não finjo ser outra coisa.
Apenas me calo e saboreio - como um bom egoísta - minha poção do mal, o meu veneno.

sábado, outubro 13, 2007

153

pequena história de um eu. como se fosse uma receita ou um obtuário, um tapete ou um filme, registrarei o que se tem por thiago assim: aos 3 assistia e ria de Carlitos na madrugada da rede globo. com 6 anos incendiava um apartamento. com 9 lia o guia de vídeos da abril. com 6 dava o primeiro beijo. com 14 saía de casa. com 15 ordenhava cabras e colhia café. aos 17 sentia dores no estômago e lia nietzsche. com 19 programava em pascal. com 21 precisava chorar. com 22 fazia sexo por amor. aos 23 prensava tatuagens em meus braços. com 25 estava na presidência da república. aos 26 reconheci o amor. no 27 eu escrevo 153.

quarta-feira, agosto 22, 2007

152

Você acessa a internet e ela acessa você. Você diz o que sente sem querer dizer...e todos podem saber por onde passou. Geralmente os rastros levam ao seu pântano ou a caixa que guarda as marcas e objetos do passado. E tudo..fica mais presente do que nunca. Temo todo entulho que eu me tornei. Um intrépido, um descuidado, um permissivo, um dissidente, um autofágico e uma lata de lixo. Meu medo é você e seu histórico. Os Documentos Recentes...o backup perdido e a verdade suprema orkutiana. Eu já estive há 10 km do inferno, já que você perguntou. Ainda recordo o quanto a realidade fere...a violência da realidade é pior do que qualquer inferno imaginado. Minha distância das horas desse dia é sadia e cautelosa. Respire mais um pouco...Oxigênio te dá vida e toma ao mesmo tempo! E isso se repete...cada um com seus outros O².

segunda-feira, agosto 13, 2007

151

(não). Esperanças. "Não espere de ninguém...só espere de você mesmo, as coisas que somente você pode fazer." Assim disse a maestra. Formidáveis dores poderiam ser evitadas se isso fosse levado a ferro e fogo. Sim, eu preparo o massacre. São mais de vinte vulneráveis peitos à espera de estacas ou pescoços prontos a confortarem as lâminas que só os sós sabem usar. Não interrompa nenhuma vontade...as consequências acabam sempre conflitos. E entre mortos e feridos fica a esperança. A maldita que beija mal...Os maus hálitos de dezenas de zumbis concentrados no nosso beijo e todo o fedor de corpos em decomposição compondo a sinfonia bizarra do que pode - por que não? - se chamar "sexo". Foda-se. Já donou-se tudo mesmo.

150

"Essa febre que não passa...". Não sei responder se aquele homem sabe demais ou se é só cansaço. Uma árvore mal podada e um tombo grotesco no chão. Bem que eu poderia ter evitado isso. Sorri e descansa. Sinto-me mal em lembrar de você e imagino se isso durasse a vida toda. Posso encomendar os mais modernos labirintos que não serão tão complexos quanto suas atitudes. Fico aqui repetindo em palavras o que não precisa ser dito e muito menos recordado. São meus sonhos nefastos e meus fetiches que lhe ferem ou é simplesmente a lembrança de seus algozes, seus eternos amantes e devoradores de carne e sangue?

domingo, agosto 12, 2007

149

Alguns minutos decepados da hora. Do que lento é...rápido sei!
Sei sim, é sua postura de modelo Revell que influencia uma vitrine e me faz lembrar...Ah...não é sonho mais!
Vila da boa, gostosa e esperançosa certeza do sexo.
Vi sim...
Era seu ser perplexo e de boca aberta esperando...
Um feliz infeliz momento.

domingo, junho 17, 2007

148

Com brilhante sentimento. Há momentos que desejaria não terem existido. Outros, contudo, deveriam surgir a cada momento. Não queria saber que você me teve como "boa companhia e bom sexo". Não queria saber de suas dúvidas e assuntos de bar. Nada mais de comer carne no reveillon. Não quero me lembrar que não podia beijar a boca...meros detalhes que me incomodam. Não sou tão resistente assim. Não sou rapaz desleixado do século vinte e um. Aqui dentro sempre teve Alma. Tudo que faço leva meu sangue. Todas as ações que me evocam são passíveis do meu desencanto. Tudo o que disse e fez a revelia, retorna nos meus olhos e nas minhas palavras. Só o meu silêncio é capaz de conter minhas lágrimas de ontem e hoje. Meu sentimento brilha e não cega. Ofusca. E eu vejo além...e lá, não há espaço nem tempo para a minha insônia.

147

Quando um não-morto tende ao desencanto. Existem alguns bons motivos os quais me permitem gostar de um ser humano em especial. No entanto, a ansiedade me traz insônia e a noite que lembra repouso, abriga os delírios de um amante que não se contenta com o presente. Há momentos que penso seriamente em não pensar mais, logo amar de fato, sentir plenamente. Sei que não é possível tal coisa. Assim como não é possível compreender o porquê de muitas pessoas não entenderem o porquê de suas ações. Sei que alguns conhecem o sentido da maioria de seus atos. Entendem bem a lógica. Sabem da causalidade. Sentem em dia consigo mesmos ao enfrentar a si mesmos num jogo de autocorrupção e interesses. Levam a vida e não se entregam à ela. Pois bem, absurdos possíveis. Ainda me presto à Honra.

sábado, junho 09, 2007

146

Já vai tarde. Duas vezes seis e continuo reduzindo meu tempo a poucos sinais confusos que não provam ao certo se estou vivo ou não. Lampejos de prazer que vez ou outra aparecem tratam de me fazer bem. Lá fora parece tão desinteressante...Parece que a convivência com o exterior deixa muito a desejar. Eu, fechado em meu egoísmo, dançando sem saber dançar uma formosa valsa que ora lembra um tango e outro silêncio. Vá você então e embarque no expresso do desespero. Parecerá vazio, mas habitam fantasmas demais nessa viagem...

145



Partir É Morrer Um Pouco

(José Carlos Ary dos Santos)

Adeus parceiros das farras
Dos copos e das noitadas
Adeus sombras da cidade
Adeus langor das guitarras
Canto de esperanças frustradas
Alvorada de saudade.

Meu coração como louco
Quer desgarrar no meu peito
Transforma em soluço a voz
Partir é morrer um pouco
A alma de certo jeito
A expirar dentro de nós.

Voam mágoas em pedaços
Como aves que se não cansam
Ilusões esparsas no ar.
Partir é estender os braços
Aos sonhos que não se alcançam
Cujo destino é ficar.

Deixo a minh’alma no cais
De longe alcanço sinais
Feitos de pranto a correr.
Quem morre não sofre mais
Mas quem parte é dor demais
É bem pior que morrer!

Quem morre não sofre mais
Mas quem parte é dor demais
É bem pior que morrer!

segunda-feira, maio 14, 2007

144

A instabilidade nos encontros inevitáveis entre o presente e o passado.
Meu ontem responde em alto e bom som a minha racionalidade de hoje: Não.
Não se meta com você de uma hora atrás! Não diga "depois".
"Vá buscar algo para se agarrar quando cair do alto daquele prédio"
"Lembre-se, caríssimo...only fools rush in"
Um brutal soco rasga o ar em direção a minha cara: é o DNA...
Parece que nada muda, idealista.
Parece que nada muda, realista.
De onde vem esse ódio?
Que maldita carne é essa que alimentou a alcatéia de desconhecidos?
Que te importa essa putrefação ambulante que anda como quem anda não-certo.
Morro cada minuto e ainda digo que vivo...as células caem no chão ou nos abraços.
Não há agora sem o motivo que me fez acreditar em "agora"...
Mas dói...angustia...inibe a tranquilidade...desestrutura...o sol já se pôs mas Darwin é o mesmo.
Malditos são malditos e ontem continua sendo ontem.
Me dê ilusões e eu me cubro com elas em meio ao frio da alma, essa frieza herdada, essa vontade de não-criar...nada disso cessa com o sol da manhã que vem.

quinta-feira, abril 12, 2007

143

Ah, o sorriso das dissimuladas. Ela mente hoje. Elas mentirão amanhã também. Há um bom tempo percebi que na busca por "melhores salários", algumas espécies são forçadas a mentir para garantirem seus lombos no futuro. Essa perfeita combinação capitalismo-sobrevivência se adequa perfeitamente as ocasiões em que elas - algumas mulheres - precisam escolher segurança à verdade e argumentar em nome de coisas como o amor. Um sorriso para você, caríssimo, não significa "um sorriso para você". Sim, elas estão felizes! E rirão mais ainda com as suas bobeiras...Escute! São gemidos...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

142

Desencanto.

I
Em determinado momento pensei em ser "simples" e agir como um "ser" simples. Viver no meio. Sofrer só de vez em quando e me permitir chorar de alegria. Quem me dera o ritual de um dia comum e ordinário, sem relógio de preferência. Ouvidos para poucas brisas, olhos meio abertos, sorriso pequeno, pele arrepiada...nada demais.

II
Ontem me empanturrei de sonhos, venturas, esperanças...hoje é tão vazio.
Ainda anteontem andava com prazer e corria pelas manhãs. Hoje cedo estava obeso e falando baixo.
"Para o ano, todas essas sementes florescerão!" disse no ano passado. Agora pouco...silêncio.
Anos atrás reconhecia a paz para alguns fins. Há minutos declarei guerra as minhas veias.
Há tempos pintava o que achava bonito. Agora rabisco palavras.
Alegrava. Entristeço.
Desencanto.

III
Ouviste um rumor que veio do chão de que há pouco o céu caiu?
Lembraste das risadas infantis de um futuro velho cisudo?
Caíste na realidade e horas depois acordou em um caixão lacrado de decepção à 26 palmos de profundidade?
Sentiste o toque quente da velha saudade que deixa lágrimas no ar?

IV
Lá se foram minhas esperanças e levaram consigo todos sorrisos meus.
Fiquei sim com meu desencanto pela academia e bancos de praça.
Deixei de acreditar em você e agora em mim...que fim levamos, enfim?
Levaram minhas energias e ainda tenho que responder por tanta desgraça.

Lá se foram minhas bobeiras e loucuras de um amor infinito
Sobraram Zetrons e vodka barata
Sobraram dúvidas e erros
Deixaram "eu" sem vontade até de maldade.

Reconhe-me agora, amante da morte?
Faz idéia do que é não ser mais fiel a vida?
Quero partir, quero voltar e não sabes qual é meu lar?

Reconheço...ainda és um suicida.
Não sabe se quer ir para algum canto
Ou se destrói em desencanto.


segunda-feira, fevereiro 19, 2007

141

LEGOLÂNDIA.



Nas profundezas encontro minhas vontades incontroláveis de dizer coisas sobre o tempo e o sexo. O porquê dos muitos olhares de dúvida que lancei ao mundo serão expostos nos próximos tempos. Esse "esforço de guerra"´é para não permitir que meus sentimentos tomem conta de mim em dias de sol quente...Desejo temer mais a vida e contribuir com meu dom de destruição, pois há gente "boa" demais criando. Vou ser antítese da(o) mocinha(o): "Criarei" destruição e desiquilibrarei as várias ordens. O intuito não é confundir, é arruinar mesmo. É demolir a LEGOLÂNDIA. Cansei dessa rotina idiota que adoece até os curandeiros. Esse meu dia bobo de rapaz direito que me faz o bom irmão e esse sorriso sem graça que dá garantias não sei de que para te deixar com a impressão de felicidade. Cortarei a luz da sua casa, essa cheia de móveis antigos e gente moderna. Arranharei minhas unhas na parede de cada sala de aula ou sanatório. É esse cataclisma cerebral que joga minhas sinapses contra o cotidiano imbecil e a favor da queda dos meus neurônios e cabelos. Minha fartura...de neuroses. As angústias várias e o egoísmo inevitável de quem acha que pode alguma coisa. Meus desejos infinitos vão consumir seus recursos escassos, LEGOLÂNDIA!

sábado, fevereiro 17, 2007

140

Os próximos dias sem manhãs.












Por muito não me fiz novamente em flores, manhãs e expectativas. " Esperava" novamente pelos cânticos de fada que poucos ousam ouvir. Era nas alturas que a encontrava...e assim, me "encontrava" na mais irracional dialética. Muitas vezes fiz do sonho a minha realidade e deixei a floresta selvagem rumo ao céu.
Agora o tempo é outro.
O animal é bípede e não permite voôs por míticas realidades. Do ar quero só a leveza...do tempo quero só sabedoria. Viverei para o carinho recíproco e dedicação - nada mais romântico para o século XXI.
Os próximos dias não precisam mais das manhãs.
Preciso do sexo dos dias.
Da cópula entre nossas almas.
Do meu suor de homem raro que derrama orgasmos e perfuma seu cotidiano de adrenalina e serotonina.
É a sua boca que irei beijar sem desperdiçar nem um pouco do melhor sentimento que ainda se conserva dentro de mim. Usufruíremos das sínteses de várias transformações numa história que só pode ser assinada por "Nós" e mais ninguém.
Para que isso aconteça, as manhãs precisarão ser noites...
Deixo o caminho...não vejo mais elementais...não espero mais.
Vivo das boas noites, não-querida.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

139

Com todas as cores possíveis. Alguns diriam "Como é breve o seu sorriso, jovem!". Eu digo "Nem todos conhecem as cores que tu dispõe para um autoretrato!". Parece que não há mais tempo para as pinturas que imaginei durante as últimas estações...Será que ainda posso contar com você nessa caminhada? Espero o desmoronamento desses dias...desse sim-quase-sim que falta nas minhas horas. O extermínio de algumas dúvidas e o regozijo de uma quase-certeza de abraçá-la novamente sem pensar em parar!

138

Menos pétalas...menos horas. Escravos do tempo, do espaço, dos sentimentos, da ordem e da razão. Somos todos?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

137

Uma bela. Se de tantas paisagens não me mostro tão zeloso e não retenho tantas cousas, a culpa é de alguma bela que se fez mais bela de tudo que havia ali. Esqueço-me da luz do céu e faço juz à ela, a mais bela, que por ventura "é" o momento seja dia ou noite. Um homem como eu, que se perde propositalmente por prazer, vê na bela a ausência de certezas...e é nesse momento em que a beleza convence - e vence. E dela eu quero perder: faço questão da derrota! Quero estar ali, fitando seus olhos enquanto todo mundo passa por eles, debruçar meus desejos nos movimentos inexatos da sua boca - que quero beijar - e de suas mãos - que quero segurar. Discordo do tempo que insiste em correr e arruinar o presente ao lado dela...São momentos que se passam, mas, ao repensar, é melhor assim...
Os minutos que não cessam são parte do caminho que me levam novamente à bela...que hoje nada mais é que
ela.

domingo, fevereiro 04, 2007

136

os caminhos...as trilhas...e o preparo. Posso muito. Desejo muitas coisas...e nunca estive tão preparado para tantos solos diferentes. Faço minha própria trilha sem bússola e sem mapa. Há música para me acompanhar e alguns cadáveres falantes que respondem algumas dúvidas quanto o clima. Não exatamente, mas com alguma certeza de quem sente - e muito -, declaro desprezo as estorvos que vierem aparecer nessa jornada. Serão sumariamente rejeitados do meu cotidiano se ousarem atravancar ou dificultar meus dias e noites. Isso inclui meu passado!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

134

Ode à dúvida (e à aquelas que amo)

Sem "dúvidas" eu não estaria aqui tão pronto e quase certo...
Meus ossos e veias se curvam igualmente a grande dúvida que é viver ou não...mas será que compensa viver sem vocês?
Descobri que sou um mamífero com pouca moral para dizer "eu te amo".

Sou verdadeiramente um ser da floresta que perambula pelas cidades desse tempo.
Mas não esqueço das minhas origens...mas não serei enterrado no mesmo lugar: porque não serei enterrado...
Meus genes são 'amantes' e crêem em amor - acreditam piamente na força do 'amor'...
Sou eu assim, ou...?
Excedo no romantismo...ou simulo as penas de um pavão com a ajuda das palavras?
Canto por cantar ou canto aquilo que você gosta de ouvir e ninguém canta para você?
Durmo com você no coração ou apoio sua cabeça contra o meu peito?
Faço-lhe carícias ou quero despertar sua libido (e me alimentar do seu sabor) ?
Quero você por perto ou não quero ficar só essa noite?
Faço amor com você por horas para enfim agraciar à natureza com mais uma espécie?
Dedico-lhe estrelas porque sei que não sou capaz de buscá-las?

Quero-te tão bem...mas mal conheço o "bem"...
E diga-se de passagem...prefiro vossa mercê ou desdenho a minha ilustríssima pessoa?
Ajudo-te ou me ajudo nessa história toda?

Ah sim...chamam de neurose essa inquietude...
Não me importo mais com as palavras...
Dêem o nome que quiserem...
Aqui dentro de mim não cabe muita coisa mesmo...
Mas sempre tem lugar para você, minha querida.


segunda-feira, janeiro 22, 2007

133















Uma bíblia de neon.

É este o título do novo álbum de uma das bandas que mais saboreio nos últimos anos: The Arcade Fire. Neon Bible só estará a venda em Março, mas a sagrada internet já prolifera o milagre da multiplicação das mp3. Experimente você também um pouco de redenção...Amém.

132

Um dança leve de quem já caminhou bastante. Soube da minha sombra ontem que estou em falta com o sol. Um breve aviso.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

131

Meu grito tem estilhaços de explosão em Bagdá.

Para saber por onde anda minha cabeça, precisa sentir
meu grito.
Meu grito tem estilhaços de explosão em Bagdá.
Para me acompanhar você precisa saber da solidão.
Divido todas as noites e dias com ela.
Se pensar que vou por onde pensa...desista de ir. Já estive lá.
Desista do chão e das pegadas...não respondo mais a gravidade.
Acordo sem ter dormido e faz muito tempo que não sonho o mesmo sonho.
Resisti a vontade de ser e ter, acolhi nada no lugar de tudo!
Não rimo em qualquer verso para não ser lembrado no seguinte.
Não comparo mais duas coisas como antes...prefiro três.
Já fui embora, cheguei e errei...já sei do gosto do medo de perder
Dancei e copulei com a morte e nasci novamente para saber onde anda minha cabeça
Eu sei...não lhe beijei bem...mas não fui eu...foi você que não soube/sabe/saberá o mínimo de inventar e "amar"
Quanto mais alto vôo, menos me enxergam...se pensar bem, a razão cega.
Se sentir bem...não há nomes.
Se entender isso...volte a sentir, porque não sentiu direito!


130

Por onde voará depois de amanhã? Onde estão os loucos, desprezadores do tempo e do espaço? Onde estão aqueles talentosos idiotas?
Para onde foram?
Sei que alguns homens decidiram cuidar da caverna à viajar ( viajar é preciso)....
Sei que algumas mulheres decidiram procriar zeladores de caverna à viajar (viajar é preciso)...
Que mal fizeram...realmente que 'mal' fizeram...
Hoje estamos gordos: ricos em carboidratos e truques...somos autocorruptos. Agora não correm mais homens/mulheres atrás de um monte de terra mais fértil...aproveitam sim, da terra pronta e dos alimentos podres do chão...
Não acreditam mais que podem alcançar o sol...pois já sabem o nome daquilo que brilha no céu...
Esses pobres já têm palavras demais para se esconderem.

A caverna é feita de palavras...

129

"Os grandes homens estão muitas vezes solitários. Mas essa solidão é parte da sua capacidade de criar. O carácter, assim como a fotografia, desenvolve-se no escuro."

Yousuf Karsh

Fotógrafo

Fui claro demais ao expor às pessoas que me cercam o bom cristão que foi edificado durante alguns anos. Sim, cristão...por ter um prazer sórdido pelo sofrimento...Eu fui e ainda devo ser a essa altura, pois devo "dever" ainda alguma coisa à Deus.
Deixe-me explicar:
Por anos, uma criança chorando viveu dentro de mim. Desamparada, rejeitada e subestimada!
Não experimentou e nem saboreou doces demais. Foi tratada com fel: deram-lhe lixo e ilusões ...
Preferiu qualquer 'metafísica' as muitas dores físicas reais...foi criada com chibatadas como qualquer 'bom' escravo que se preze...

E foi a partir desse 'lar' que deixou...a partir das mentiras que ouviu e não acreditou é que ela - a criança - pediu para ser morta.
E eu, um homem, ajudei-a.
Fui cumplice de um infanticídio.
Ela me deixou todas as suas lições, todas suas horas-aula de violência e medo.
As suas desgraças riram de mim e deram-me a mais especial arma à favor de mim mesmo: a indignação.
O mal-estar da geração passou a viver nos encantos dos meus gestos...
Criou-se uma vontade natural de sucumbir com o mundo pronto, a tudo que foi dado ou herdado.
Emerge um preconceito brutal que não tem respeito algum por aquilo que não fora conquistado ou dito das entranhas, do "âmago do ser"...
Nada não prestará se não for escrito com sangue, já diria aquele que deveria ser "o" natimorfo de 1844.

Deprecio os covardes...mas preciso deles. Servem de chão para que eu caminhe enquanto eu não vôo.
Naõ se assuste: pssssssiu!
É para o meu bem, viu?
Eu tenho caráter.

domingo, janeiro 14, 2007

128

O desprezo e outras coisas fascinantes. É certo que um dia você ou eu seremos desprezados. Saborearemos em vários acordes de canções tristes a dor de um não e de um convite recusado...
O que não é muito provável é que você se especialize em desprezar.
Há alguns anos, no auge das salas de bate-papo (sim...eu já adolesci e a internet também!), lembro-me de entrar com o seguinte nick: "Eu desprezo".
Logo, quando entrava alguém no chat room, o incoveniente aqui lançava apenas o nome do novo participante e ficava algo parecido como:

Fulano(a) entra na sala X.
Fulano(a) diz: Oi! Alguém quer tc?

Dai eu resumia tudo em:

EU DESPREZO: Fulano(a)

E assim que entrava mais seres imaginários ou alguém soltava uma frase horrenda na sala de bate-papo, eu ironicamente me divertia com "EU DESPREZO"...
As "pessoa" se revoltavam com essa brincadeira...não queriam ser desprezadas...

Enfim, ainda hoje acho que entendo o que é DESPREZAR.
Se há resquícios de sadismo da minha parte em desprezar? Claro!
No entanto, eu sintetizei melhor as 'proteínas' da ação desprezar.
Caberia linhas e linhas aqui para dizer como eu dupliquei minha eloquência sabendo que a qualquer momento meu silêncio poderia indicar...desprezo.
Foram anos sendo desprezado e desprezando...veja bem, que fascinante!
Eu me especializei em desprezar e ser desprezado...acho que ambos são a mesma coisa no fundo...
Não sei se fui mais desprezado ou desprezei mais...mas eu sei o quanto o desprezo ensina. Ensina muito...

(...)

sábado, janeiro 13, 2007

"This garden that I built for you"

Nick Cave - Bring it on



This garden that I built for you
That you sit in now and yearn
I will never leave it, dear
I could not bear to return
And find it all untended
With the trees all bended low
This garden is our home, dear
And I got nowhere else to go

So bring it on
Bring it on
Every little tear
Bring it on
Every useless fear
Bring it on
All your shattered dreams
And I'll scatter them into the sea
Into the sea

The geraniums on your window sill
The carnations, dear, and the daffodil
Well, they're ordinary flowers
But they long for the light of your touch
And of your trembling will
Ah, you're trembling still
And I am trembling too
To be perfectly honest I don't know
Quite what else to do

So bring it on
Bring it on
Every neglected dream
Bring it on
Every little scheme
Bring it on
Every little fear
And I'll make them disappear

So bring it on, bring it on
Bring it on
Every little thing
Bring it on
Every tiny fear
Bring it on
Every shattered dream

terça-feira, janeiro 09, 2007

127

126

LOUCURA, FINALMENTE. O meu desprezo e cansaço com a "minha" geração...Eu, Hipócrita? Sim, eu sei! Você também é. Olha, mas eu estou cansado...sim! A minha primeira pessoa está cansada de tanto despreparo, preguiça e covardia. São poucos conhecidos da minha geração que querem chutar o pau da barraca e do mundo! "Há um momento para ser revolucionário e idealista"...dizem os mais intelectuais e mais velhos prostados em alguma cadeira. E complementam..."Eu já tive essa idade...ai ai ai...".
Problema é que parecemos nos acomodar...sentar nos valores e na moral vigente, aceitar de bom grado os ditames 'capitalistas' (eeeehhhh comunismo) e fazer a 'vidinha'...papai, mamae, titia e filhinhos...
Eu conheço uma serie de pessoas nessa situacao...a TV de plasma é tão boa quanto saciar a fome de alguns aidéticos amoados em alguma instituição carcerária ( A sua mãe tá bem? Aquela velha triste e sem sexo?)
Você pode ver que escrevo a partir das minhas entranhas, não é?
Escreveria com sangue para te impressionar se pudesse...
Você irá morrer, por que não morre destruindo algo de "útil", seu/sua filho(a) da puta?
Meu pai espera o meu salário e meu bem-estar do século XXI para ele contar pra meia dúzia de pessoas do sucesso do investimento dele...Vai dizer: "É minha previdência!!! Olha só!"
Subjetivismo a parte...
Estou caminhando ao meu auge...
Tenho muito a dizer...e ao mesmo tempo, tão pouco.
Ontem o IRAQUE, hoje IRÃ...no meio há um ENFORCADO.
Háháháhá...eu estou além da maioria. EU ACHO QUE SEI O QUE ESTÁ ACONTECENDO!!!
Alguém como eu, que leu Nietzsche do começo ao fim na adolescência e releu na universaidade e ainda lerá mais vezes...que tipo de LOUCO é esse?
WEBER depressivo. BAUDELAIRE drogadicto (que glória!)... AUGUSTO DOS ANJOS...(que podre)...FREUD, MAURÍCIO DE SOUZA, JOHN BYRNE, THOM YORKE, ART GARFUNKEL, AXL, JESUS, BRIAN WARNER, FRANCISCO DE ASSIS (SÃO), MIRCEA ELIADE, OSHO, ADORNO, SIGUR ROS, MAIA, BEETHOVEN, BIA BEDRAN, AL PACINO, LISPECTOR, WAGNER, FAGNER, CLAREMONT, CARAVAGIO, CHINO MORENO, ROBERT DE NIRO, GAFANHOTOS e GATOS...AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA...DEBUSSY, CHICO XAVIER, MARX, MICHELANGELO, BILLY CORGAN, KANT, CLAUSEWITZ, STEVE JOBS, LAVÍNIA VLASAK, CLINT EASTWOOD, BACH, FOUCAULT, MARCOS REY, SUA MÃE, MAQUIÁVEL, ORQUíDEAS, VELHOS, ONTEM, HOJE, HEGEL, EVA GREEN, LILITH, MAL, E VC!

125

"Os dias que eu me vejo só são dias
Que eu me encontro mais e mesmo assim
Eu sei também existe alguém pra me libertar"
Condicional, Rodrigo Amarante

segunda-feira, janeiro 01, 2007

122

Amanhecer violento. Violência. Eu desejo meus sinceros votos de agressividade a todos. Nos anos passados, eu desejei paz e percebi que quase ninguém ficou em paz. As casas, as famílias e os Estados...todos sem paz. Comecei o ano assistindo o enforcamento de mais um homem, “vigiado e punido” em nome do amor e da segurança. Algo me acordou no meio do meu regozijo sádico e da minha risada: era um chamado quase “messiânico”.
Quase, pois se bem senti e entendi, não se trata de mais uma missão baseada na redenção.
Parece que é algo relacionado com perversão e destruição.
Perversão, pois caberá divertimento nesse empreendimento. Tudo se baseará em riso no exato momento da piada.
Destruição, pois não há mais nada que eu queira senão derrubar os “tijolinhos de lego” do hoje, do meu momento.
Enquanto eu lutei draconianamente pela paz e amor, contraí severas e irreversíveis doenças retro-alimentadas pela covardia. Fiquei satisfeito com a ilusão de segurança que o tempo insistiu (!!!) em me providenciar enquanto estive dentro dos muros e grades da academia e do meu passado ignóbil.
Continuo um idiota, ignorando o mundo e sendo mais um imundo hipócrita assistindo a “paz” e o “amor” engolindo o mundo.
Sim, eu quero a destruição de sua casa, família e Estado.
Todos queriam antes também, mas deixavam esse desejo represo em tantas outras palavras de boas intenções que você e eu não nos demos conta.
Não pertenço ao exército e não falo por Deus algum: simplesmente quero os destroços.
E se alguém ousar planejar algo novo...Não permita que pessoas da floresta (como eu) saibam.

123

Os levantes de ódio. Até ontem se cobrou caro por uma postura, uma coerência e uma conveniência aos bons costumes e moral. Hoje é diferente. Hoje vou odiar seu luxo.
Essa riqueza feita de esqueletos e sangue presentes nos seus lençóis de seda e algodão. Não é somente o ostentador do capital que merece uma boa dose de ódio. Todo complacente (como eu) que faz jus a negação do luxo também terá seu quinhão de violência reservado para os próximos momentos. Enquanto suas nádegas se acomodam confortavelmente na ergonômica cadeira alguma árvore é sumariamente executada em algum lugar nesse plano caótico chamado de Terra.
Frívolos sorrisos dos homens que escolheram a caverna serão substituídos lentamente por solidão e rejeição. Para os corajosos que foram caçar, sofrimento lento como por exemplo: “medo de mãe ao escutar seu/sua filho(a) gritar em um quarto em completo desespero numa crise de abstinência de cocaína”.
Tu sabes que também já quis algo parecido para seus vizinhos...e agora leia o que desejo especialmente para você:


“Um 11 de setembro na vida de cada um misturado a sensação de quem tinha amigos num campo de concentração e não sabem do paradeiro dos mesmos...

Lágrima de mães na guerra vendidas nos pacotes do McDonalds!

Chicoteadas. (Maldito(a) senhor(a)/escravo(a))

Piscinas de tortura psicológica. Refresque-se!

Angústia com motor 2.0 com rodas de liga leve de atropelar recém-nascidos.

Viagens pela Europa acompanhadas por crianças desnutridas e infectadas por Ébola.

Etc...”


Sobretudo, sinta-se vivo(a). Já me dou por satisfeito...