quarta-feira, janeiro 24, 2007

134

Ode à dúvida (e à aquelas que amo)

Sem "dúvidas" eu não estaria aqui tão pronto e quase certo...
Meus ossos e veias se curvam igualmente a grande dúvida que é viver ou não...mas será que compensa viver sem vocês?
Descobri que sou um mamífero com pouca moral para dizer "eu te amo".

Sou verdadeiramente um ser da floresta que perambula pelas cidades desse tempo.
Mas não esqueço das minhas origens...mas não serei enterrado no mesmo lugar: porque não serei enterrado...
Meus genes são 'amantes' e crêem em amor - acreditam piamente na força do 'amor'...
Sou eu assim, ou...?
Excedo no romantismo...ou simulo as penas de um pavão com a ajuda das palavras?
Canto por cantar ou canto aquilo que você gosta de ouvir e ninguém canta para você?
Durmo com você no coração ou apoio sua cabeça contra o meu peito?
Faço-lhe carícias ou quero despertar sua libido (e me alimentar do seu sabor) ?
Quero você por perto ou não quero ficar só essa noite?
Faço amor com você por horas para enfim agraciar à natureza com mais uma espécie?
Dedico-lhe estrelas porque sei que não sou capaz de buscá-las?

Quero-te tão bem...mas mal conheço o "bem"...
E diga-se de passagem...prefiro vossa mercê ou desdenho a minha ilustríssima pessoa?
Ajudo-te ou me ajudo nessa história toda?

Ah sim...chamam de neurose essa inquietude...
Não me importo mais com as palavras...
Dêem o nome que quiserem...
Aqui dentro de mim não cabe muita coisa mesmo...
Mas sempre tem lugar para você, minha querida.


segunda-feira, janeiro 22, 2007

133















Uma bíblia de neon.

É este o título do novo álbum de uma das bandas que mais saboreio nos últimos anos: The Arcade Fire. Neon Bible só estará a venda em Março, mas a sagrada internet já prolifera o milagre da multiplicação das mp3. Experimente você também um pouco de redenção...Amém.

132

Um dança leve de quem já caminhou bastante. Soube da minha sombra ontem que estou em falta com o sol. Um breve aviso.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

131

Meu grito tem estilhaços de explosão em Bagdá.

Para saber por onde anda minha cabeça, precisa sentir
meu grito.
Meu grito tem estilhaços de explosão em Bagdá.
Para me acompanhar você precisa saber da solidão.
Divido todas as noites e dias com ela.
Se pensar que vou por onde pensa...desista de ir. Já estive lá.
Desista do chão e das pegadas...não respondo mais a gravidade.
Acordo sem ter dormido e faz muito tempo que não sonho o mesmo sonho.
Resisti a vontade de ser e ter, acolhi nada no lugar de tudo!
Não rimo em qualquer verso para não ser lembrado no seguinte.
Não comparo mais duas coisas como antes...prefiro três.
Já fui embora, cheguei e errei...já sei do gosto do medo de perder
Dancei e copulei com a morte e nasci novamente para saber onde anda minha cabeça
Eu sei...não lhe beijei bem...mas não fui eu...foi você que não soube/sabe/saberá o mínimo de inventar e "amar"
Quanto mais alto vôo, menos me enxergam...se pensar bem, a razão cega.
Se sentir bem...não há nomes.
Se entender isso...volte a sentir, porque não sentiu direito!


130

Por onde voará depois de amanhã? Onde estão os loucos, desprezadores do tempo e do espaço? Onde estão aqueles talentosos idiotas?
Para onde foram?
Sei que alguns homens decidiram cuidar da caverna à viajar ( viajar é preciso)....
Sei que algumas mulheres decidiram procriar zeladores de caverna à viajar (viajar é preciso)...
Que mal fizeram...realmente que 'mal' fizeram...
Hoje estamos gordos: ricos em carboidratos e truques...somos autocorruptos. Agora não correm mais homens/mulheres atrás de um monte de terra mais fértil...aproveitam sim, da terra pronta e dos alimentos podres do chão...
Não acreditam mais que podem alcançar o sol...pois já sabem o nome daquilo que brilha no céu...
Esses pobres já têm palavras demais para se esconderem.

A caverna é feita de palavras...

129

"Os grandes homens estão muitas vezes solitários. Mas essa solidão é parte da sua capacidade de criar. O carácter, assim como a fotografia, desenvolve-se no escuro."

Yousuf Karsh

Fotógrafo

Fui claro demais ao expor às pessoas que me cercam o bom cristão que foi edificado durante alguns anos. Sim, cristão...por ter um prazer sórdido pelo sofrimento...Eu fui e ainda devo ser a essa altura, pois devo "dever" ainda alguma coisa à Deus.
Deixe-me explicar:
Por anos, uma criança chorando viveu dentro de mim. Desamparada, rejeitada e subestimada!
Não experimentou e nem saboreou doces demais. Foi tratada com fel: deram-lhe lixo e ilusões ...
Preferiu qualquer 'metafísica' as muitas dores físicas reais...foi criada com chibatadas como qualquer 'bom' escravo que se preze...

E foi a partir desse 'lar' que deixou...a partir das mentiras que ouviu e não acreditou é que ela - a criança - pediu para ser morta.
E eu, um homem, ajudei-a.
Fui cumplice de um infanticídio.
Ela me deixou todas as suas lições, todas suas horas-aula de violência e medo.
As suas desgraças riram de mim e deram-me a mais especial arma à favor de mim mesmo: a indignação.
O mal-estar da geração passou a viver nos encantos dos meus gestos...
Criou-se uma vontade natural de sucumbir com o mundo pronto, a tudo que foi dado ou herdado.
Emerge um preconceito brutal que não tem respeito algum por aquilo que não fora conquistado ou dito das entranhas, do "âmago do ser"...
Nada não prestará se não for escrito com sangue, já diria aquele que deveria ser "o" natimorfo de 1844.

Deprecio os covardes...mas preciso deles. Servem de chão para que eu caminhe enquanto eu não vôo.
Naõ se assuste: pssssssiu!
É para o meu bem, viu?
Eu tenho caráter.

domingo, janeiro 14, 2007

128

O desprezo e outras coisas fascinantes. É certo que um dia você ou eu seremos desprezados. Saborearemos em vários acordes de canções tristes a dor de um não e de um convite recusado...
O que não é muito provável é que você se especialize em desprezar.
Há alguns anos, no auge das salas de bate-papo (sim...eu já adolesci e a internet também!), lembro-me de entrar com o seguinte nick: "Eu desprezo".
Logo, quando entrava alguém no chat room, o incoveniente aqui lançava apenas o nome do novo participante e ficava algo parecido como:

Fulano(a) entra na sala X.
Fulano(a) diz: Oi! Alguém quer tc?

Dai eu resumia tudo em:

EU DESPREZO: Fulano(a)

E assim que entrava mais seres imaginários ou alguém soltava uma frase horrenda na sala de bate-papo, eu ironicamente me divertia com "EU DESPREZO"...
As "pessoa" se revoltavam com essa brincadeira...não queriam ser desprezadas...

Enfim, ainda hoje acho que entendo o que é DESPREZAR.
Se há resquícios de sadismo da minha parte em desprezar? Claro!
No entanto, eu sintetizei melhor as 'proteínas' da ação desprezar.
Caberia linhas e linhas aqui para dizer como eu dupliquei minha eloquência sabendo que a qualquer momento meu silêncio poderia indicar...desprezo.
Foram anos sendo desprezado e desprezando...veja bem, que fascinante!
Eu me especializei em desprezar e ser desprezado...acho que ambos são a mesma coisa no fundo...
Não sei se fui mais desprezado ou desprezei mais...mas eu sei o quanto o desprezo ensina. Ensina muito...

(...)

sábado, janeiro 13, 2007

"This garden that I built for you"

Nick Cave - Bring it on



This garden that I built for you
That you sit in now and yearn
I will never leave it, dear
I could not bear to return
And find it all untended
With the trees all bended low
This garden is our home, dear
And I got nowhere else to go

So bring it on
Bring it on
Every little tear
Bring it on
Every useless fear
Bring it on
All your shattered dreams
And I'll scatter them into the sea
Into the sea

The geraniums on your window sill
The carnations, dear, and the daffodil
Well, they're ordinary flowers
But they long for the light of your touch
And of your trembling will
Ah, you're trembling still
And I am trembling too
To be perfectly honest I don't know
Quite what else to do

So bring it on
Bring it on
Every neglected dream
Bring it on
Every little scheme
Bring it on
Every little fear
And I'll make them disappear

So bring it on, bring it on
Bring it on
Every little thing
Bring it on
Every tiny fear
Bring it on
Every shattered dream

terça-feira, janeiro 09, 2007

127

126

LOUCURA, FINALMENTE. O meu desprezo e cansaço com a "minha" geração...Eu, Hipócrita? Sim, eu sei! Você também é. Olha, mas eu estou cansado...sim! A minha primeira pessoa está cansada de tanto despreparo, preguiça e covardia. São poucos conhecidos da minha geração que querem chutar o pau da barraca e do mundo! "Há um momento para ser revolucionário e idealista"...dizem os mais intelectuais e mais velhos prostados em alguma cadeira. E complementam..."Eu já tive essa idade...ai ai ai...".
Problema é que parecemos nos acomodar...sentar nos valores e na moral vigente, aceitar de bom grado os ditames 'capitalistas' (eeeehhhh comunismo) e fazer a 'vidinha'...papai, mamae, titia e filhinhos...
Eu conheço uma serie de pessoas nessa situacao...a TV de plasma é tão boa quanto saciar a fome de alguns aidéticos amoados em alguma instituição carcerária ( A sua mãe tá bem? Aquela velha triste e sem sexo?)
Você pode ver que escrevo a partir das minhas entranhas, não é?
Escreveria com sangue para te impressionar se pudesse...
Você irá morrer, por que não morre destruindo algo de "útil", seu/sua filho(a) da puta?
Meu pai espera o meu salário e meu bem-estar do século XXI para ele contar pra meia dúzia de pessoas do sucesso do investimento dele...Vai dizer: "É minha previdência!!! Olha só!"
Subjetivismo a parte...
Estou caminhando ao meu auge...
Tenho muito a dizer...e ao mesmo tempo, tão pouco.
Ontem o IRAQUE, hoje IRÃ...no meio há um ENFORCADO.
Háháháhá...eu estou além da maioria. EU ACHO QUE SEI O QUE ESTÁ ACONTECENDO!!!
Alguém como eu, que leu Nietzsche do começo ao fim na adolescência e releu na universaidade e ainda lerá mais vezes...que tipo de LOUCO é esse?
WEBER depressivo. BAUDELAIRE drogadicto (que glória!)... AUGUSTO DOS ANJOS...(que podre)...FREUD, MAURÍCIO DE SOUZA, JOHN BYRNE, THOM YORKE, ART GARFUNKEL, AXL, JESUS, BRIAN WARNER, FRANCISCO DE ASSIS (SÃO), MIRCEA ELIADE, OSHO, ADORNO, SIGUR ROS, MAIA, BEETHOVEN, BIA BEDRAN, AL PACINO, LISPECTOR, WAGNER, FAGNER, CLAREMONT, CARAVAGIO, CHINO MORENO, ROBERT DE NIRO, GAFANHOTOS e GATOS...AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA...DEBUSSY, CHICO XAVIER, MARX, MICHELANGELO, BILLY CORGAN, KANT, CLAUSEWITZ, STEVE JOBS, LAVÍNIA VLASAK, CLINT EASTWOOD, BACH, FOUCAULT, MARCOS REY, SUA MÃE, MAQUIÁVEL, ORQUíDEAS, VELHOS, ONTEM, HOJE, HEGEL, EVA GREEN, LILITH, MAL, E VC!

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"Os dias que eu me vejo só são dias
Que eu me encontro mais e mesmo assim
Eu sei também existe alguém pra me libertar"
Condicional, Rodrigo Amarante

segunda-feira, janeiro 01, 2007

122

Amanhecer violento. Violência. Eu desejo meus sinceros votos de agressividade a todos. Nos anos passados, eu desejei paz e percebi que quase ninguém ficou em paz. As casas, as famílias e os Estados...todos sem paz. Comecei o ano assistindo o enforcamento de mais um homem, “vigiado e punido” em nome do amor e da segurança. Algo me acordou no meio do meu regozijo sádico e da minha risada: era um chamado quase “messiânico”.
Quase, pois se bem senti e entendi, não se trata de mais uma missão baseada na redenção.
Parece que é algo relacionado com perversão e destruição.
Perversão, pois caberá divertimento nesse empreendimento. Tudo se baseará em riso no exato momento da piada.
Destruição, pois não há mais nada que eu queira senão derrubar os “tijolinhos de lego” do hoje, do meu momento.
Enquanto eu lutei draconianamente pela paz e amor, contraí severas e irreversíveis doenças retro-alimentadas pela covardia. Fiquei satisfeito com a ilusão de segurança que o tempo insistiu (!!!) em me providenciar enquanto estive dentro dos muros e grades da academia e do meu passado ignóbil.
Continuo um idiota, ignorando o mundo e sendo mais um imundo hipócrita assistindo a “paz” e o “amor” engolindo o mundo.
Sim, eu quero a destruição de sua casa, família e Estado.
Todos queriam antes também, mas deixavam esse desejo represo em tantas outras palavras de boas intenções que você e eu não nos demos conta.
Não pertenço ao exército e não falo por Deus algum: simplesmente quero os destroços.
E se alguém ousar planejar algo novo...Não permita que pessoas da floresta (como eu) saibam.

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Os levantes de ódio. Até ontem se cobrou caro por uma postura, uma coerência e uma conveniência aos bons costumes e moral. Hoje é diferente. Hoje vou odiar seu luxo.
Essa riqueza feita de esqueletos e sangue presentes nos seus lençóis de seda e algodão. Não é somente o ostentador do capital que merece uma boa dose de ódio. Todo complacente (como eu) que faz jus a negação do luxo também terá seu quinhão de violência reservado para os próximos momentos. Enquanto suas nádegas se acomodam confortavelmente na ergonômica cadeira alguma árvore é sumariamente executada em algum lugar nesse plano caótico chamado de Terra.
Frívolos sorrisos dos homens que escolheram a caverna serão substituídos lentamente por solidão e rejeição. Para os corajosos que foram caçar, sofrimento lento como por exemplo: “medo de mãe ao escutar seu/sua filho(a) gritar em um quarto em completo desespero numa crise de abstinência de cocaína”.
Tu sabes que também já quis algo parecido para seus vizinhos...e agora leia o que desejo especialmente para você:


“Um 11 de setembro na vida de cada um misturado a sensação de quem tinha amigos num campo de concentração e não sabem do paradeiro dos mesmos...

Lágrima de mães na guerra vendidas nos pacotes do McDonalds!

Chicoteadas. (Maldito(a) senhor(a)/escravo(a))

Piscinas de tortura psicológica. Refresque-se!

Angústia com motor 2.0 com rodas de liga leve de atropelar recém-nascidos.

Viagens pela Europa acompanhadas por crianças desnutridas e infectadas por Ébola.

Etc...”


Sobretudo, sinta-se vivo(a). Já me dou por satisfeito...