domingo, janeiro 14, 2007

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O desprezo e outras coisas fascinantes. É certo que um dia você ou eu seremos desprezados. Saborearemos em vários acordes de canções tristes a dor de um não e de um convite recusado...
O que não é muito provável é que você se especialize em desprezar.
Há alguns anos, no auge das salas de bate-papo (sim...eu já adolesci e a internet também!), lembro-me de entrar com o seguinte nick: "Eu desprezo".
Logo, quando entrava alguém no chat room, o incoveniente aqui lançava apenas o nome do novo participante e ficava algo parecido como:

Fulano(a) entra na sala X.
Fulano(a) diz: Oi! Alguém quer tc?

Dai eu resumia tudo em:

EU DESPREZO: Fulano(a)

E assim que entrava mais seres imaginários ou alguém soltava uma frase horrenda na sala de bate-papo, eu ironicamente me divertia com "EU DESPREZO"...
As "pessoa" se revoltavam com essa brincadeira...não queriam ser desprezadas...

Enfim, ainda hoje acho que entendo o que é DESPREZAR.
Se há resquícios de sadismo da minha parte em desprezar? Claro!
No entanto, eu sintetizei melhor as 'proteínas' da ação desprezar.
Caberia linhas e linhas aqui para dizer como eu dupliquei minha eloquência sabendo que a qualquer momento meu silêncio poderia indicar...desprezo.
Foram anos sendo desprezado e desprezando...veja bem, que fascinante!
Eu me especializei em desprezar e ser desprezado...acho que ambos são a mesma coisa no fundo...
Não sei se fui mais desprezado ou desprezei mais...mas eu sei o quanto o desprezo ensina. Ensina muito...

(...)

3 comentários:

Anônimo disse...

Para o desprezado por você não interessa o quanto desprezou ou foi desprezado. A dor é a mesma.

Thiago Borges disse...

Ou o prazer...quem é que sabe? Bjs

Ana Clara Ferrari disse...

Muito peculiar a sua sequência de posts. Pensada ou não, revelada ou não, deve dizer alguma coisa. Construir um jardim e depois desprezar... humm...
Já plantei muitas flores -- nos jardins que construí para as pessoas -- que foram pisoteadas. Pode ter causado a dor de um jardim perdido; o prazer da construção de um novo; ou ambas as coisas. Tudo é uma questão de "afagar a terra e conhecer os desejos da terra", não é? E isto você faz muito bem...
boa adubação ;)

Quanto ao desprezo, não há quem despreze um belo jardim... mesmo que não fale, não cheire, não sinta, não veja e não entenda.

PS: será que compartilhamos do mesmo anônimo(a)? Ai, se essa moda pega...

Beijos