quarta-feira, janeiro 17, 2007

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"Os grandes homens estão muitas vezes solitários. Mas essa solidão é parte da sua capacidade de criar. O carácter, assim como a fotografia, desenvolve-se no escuro."

Yousuf Karsh

Fotógrafo

Fui claro demais ao expor às pessoas que me cercam o bom cristão que foi edificado durante alguns anos. Sim, cristão...por ter um prazer sórdido pelo sofrimento...Eu fui e ainda devo ser a essa altura, pois devo "dever" ainda alguma coisa à Deus.
Deixe-me explicar:
Por anos, uma criança chorando viveu dentro de mim. Desamparada, rejeitada e subestimada!
Não experimentou e nem saboreou doces demais. Foi tratada com fel: deram-lhe lixo e ilusões ...
Preferiu qualquer 'metafísica' as muitas dores físicas reais...foi criada com chibatadas como qualquer 'bom' escravo que se preze...

E foi a partir desse 'lar' que deixou...a partir das mentiras que ouviu e não acreditou é que ela - a criança - pediu para ser morta.
E eu, um homem, ajudei-a.
Fui cumplice de um infanticídio.
Ela me deixou todas as suas lições, todas suas horas-aula de violência e medo.
As suas desgraças riram de mim e deram-me a mais especial arma à favor de mim mesmo: a indignação.
O mal-estar da geração passou a viver nos encantos dos meus gestos...
Criou-se uma vontade natural de sucumbir com o mundo pronto, a tudo que foi dado ou herdado.
Emerge um preconceito brutal que não tem respeito algum por aquilo que não fora conquistado ou dito das entranhas, do "âmago do ser"...
Nada não prestará se não for escrito com sangue, já diria aquele que deveria ser "o" natimorfo de 1844.

Deprecio os covardes...mas preciso deles. Servem de chão para que eu caminhe enquanto eu não vôo.
Naõ se assuste: pssssssiu!
É para o meu bem, viu?
Eu tenho caráter.

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