terça-feira, fevereiro 27, 2007

142

Desencanto.

I
Em determinado momento pensei em ser "simples" e agir como um "ser" simples. Viver no meio. Sofrer só de vez em quando e me permitir chorar de alegria. Quem me dera o ritual de um dia comum e ordinário, sem relógio de preferência. Ouvidos para poucas brisas, olhos meio abertos, sorriso pequeno, pele arrepiada...nada demais.

II
Ontem me empanturrei de sonhos, venturas, esperanças...hoje é tão vazio.
Ainda anteontem andava com prazer e corria pelas manhãs. Hoje cedo estava obeso e falando baixo.
"Para o ano, todas essas sementes florescerão!" disse no ano passado. Agora pouco...silêncio.
Anos atrás reconhecia a paz para alguns fins. Há minutos declarei guerra as minhas veias.
Há tempos pintava o que achava bonito. Agora rabisco palavras.
Alegrava. Entristeço.
Desencanto.

III
Ouviste um rumor que veio do chão de que há pouco o céu caiu?
Lembraste das risadas infantis de um futuro velho cisudo?
Caíste na realidade e horas depois acordou em um caixão lacrado de decepção à 26 palmos de profundidade?
Sentiste o toque quente da velha saudade que deixa lágrimas no ar?

IV
Lá se foram minhas esperanças e levaram consigo todos sorrisos meus.
Fiquei sim com meu desencanto pela academia e bancos de praça.
Deixei de acreditar em você e agora em mim...que fim levamos, enfim?
Levaram minhas energias e ainda tenho que responder por tanta desgraça.

Lá se foram minhas bobeiras e loucuras de um amor infinito
Sobraram Zetrons e vodka barata
Sobraram dúvidas e erros
Deixaram "eu" sem vontade até de maldade.

Reconhe-me agora, amante da morte?
Faz idéia do que é não ser mais fiel a vida?
Quero partir, quero voltar e não sabes qual é meu lar?

Reconheço...ainda és um suicida.
Não sabe se quer ir para algum canto
Ou se destrói em desencanto.


segunda-feira, fevereiro 19, 2007

141

LEGOLÂNDIA.



Nas profundezas encontro minhas vontades incontroláveis de dizer coisas sobre o tempo e o sexo. O porquê dos muitos olhares de dúvida que lancei ao mundo serão expostos nos próximos tempos. Esse "esforço de guerra"´é para não permitir que meus sentimentos tomem conta de mim em dias de sol quente...Desejo temer mais a vida e contribuir com meu dom de destruição, pois há gente "boa" demais criando. Vou ser antítese da(o) mocinha(o): "Criarei" destruição e desiquilibrarei as várias ordens. O intuito não é confundir, é arruinar mesmo. É demolir a LEGOLÂNDIA. Cansei dessa rotina idiota que adoece até os curandeiros. Esse meu dia bobo de rapaz direito que me faz o bom irmão e esse sorriso sem graça que dá garantias não sei de que para te deixar com a impressão de felicidade. Cortarei a luz da sua casa, essa cheia de móveis antigos e gente moderna. Arranharei minhas unhas na parede de cada sala de aula ou sanatório. É esse cataclisma cerebral que joga minhas sinapses contra o cotidiano imbecil e a favor da queda dos meus neurônios e cabelos. Minha fartura...de neuroses. As angústias várias e o egoísmo inevitável de quem acha que pode alguma coisa. Meus desejos infinitos vão consumir seus recursos escassos, LEGOLÂNDIA!

sábado, fevereiro 17, 2007

140

Os próximos dias sem manhãs.












Por muito não me fiz novamente em flores, manhãs e expectativas. " Esperava" novamente pelos cânticos de fada que poucos ousam ouvir. Era nas alturas que a encontrava...e assim, me "encontrava" na mais irracional dialética. Muitas vezes fiz do sonho a minha realidade e deixei a floresta selvagem rumo ao céu.
Agora o tempo é outro.
O animal é bípede e não permite voôs por míticas realidades. Do ar quero só a leveza...do tempo quero só sabedoria. Viverei para o carinho recíproco e dedicação - nada mais romântico para o século XXI.
Os próximos dias não precisam mais das manhãs.
Preciso do sexo dos dias.
Da cópula entre nossas almas.
Do meu suor de homem raro que derrama orgasmos e perfuma seu cotidiano de adrenalina e serotonina.
É a sua boca que irei beijar sem desperdiçar nem um pouco do melhor sentimento que ainda se conserva dentro de mim. Usufruíremos das sínteses de várias transformações numa história que só pode ser assinada por "Nós" e mais ninguém.
Para que isso aconteça, as manhãs precisarão ser noites...
Deixo o caminho...não vejo mais elementais...não espero mais.
Vivo das boas noites, não-querida.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

139

Com todas as cores possíveis. Alguns diriam "Como é breve o seu sorriso, jovem!". Eu digo "Nem todos conhecem as cores que tu dispõe para um autoretrato!". Parece que não há mais tempo para as pinturas que imaginei durante as últimas estações...Será que ainda posso contar com você nessa caminhada? Espero o desmoronamento desses dias...desse sim-quase-sim que falta nas minhas horas. O extermínio de algumas dúvidas e o regozijo de uma quase-certeza de abraçá-la novamente sem pensar em parar!

138

Menos pétalas...menos horas. Escravos do tempo, do espaço, dos sentimentos, da ordem e da razão. Somos todos?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

137

Uma bela. Se de tantas paisagens não me mostro tão zeloso e não retenho tantas cousas, a culpa é de alguma bela que se fez mais bela de tudo que havia ali. Esqueço-me da luz do céu e faço juz à ela, a mais bela, que por ventura "é" o momento seja dia ou noite. Um homem como eu, que se perde propositalmente por prazer, vê na bela a ausência de certezas...e é nesse momento em que a beleza convence - e vence. E dela eu quero perder: faço questão da derrota! Quero estar ali, fitando seus olhos enquanto todo mundo passa por eles, debruçar meus desejos nos movimentos inexatos da sua boca - que quero beijar - e de suas mãos - que quero segurar. Discordo do tempo que insiste em correr e arruinar o presente ao lado dela...São momentos que se passam, mas, ao repensar, é melhor assim...
Os minutos que não cessam são parte do caminho que me levam novamente à bela...que hoje nada mais é que
ela.

domingo, fevereiro 04, 2007

136

os caminhos...as trilhas...e o preparo. Posso muito. Desejo muitas coisas...e nunca estive tão preparado para tantos solos diferentes. Faço minha própria trilha sem bússola e sem mapa. Há música para me acompanhar e alguns cadáveres falantes que respondem algumas dúvidas quanto o clima. Não exatamente, mas com alguma certeza de quem sente - e muito -, declaro desprezo as estorvos que vierem aparecer nessa jornada. Serão sumariamente rejeitados do meu cotidiano se ousarem atravancar ou dificultar meus dias e noites. Isso inclui meu passado!