domingo, junho 17, 2007

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Com brilhante sentimento. Há momentos que desejaria não terem existido. Outros, contudo, deveriam surgir a cada momento. Não queria saber que você me teve como "boa companhia e bom sexo". Não queria saber de suas dúvidas e assuntos de bar. Nada mais de comer carne no reveillon. Não quero me lembrar que não podia beijar a boca...meros detalhes que me incomodam. Não sou tão resistente assim. Não sou rapaz desleixado do século vinte e um. Aqui dentro sempre teve Alma. Tudo que faço leva meu sangue. Todas as ações que me evocam são passíveis do meu desencanto. Tudo o que disse e fez a revelia, retorna nos meus olhos e nas minhas palavras. Só o meu silêncio é capaz de conter minhas lágrimas de ontem e hoje. Meu sentimento brilha e não cega. Ofusca. E eu vejo além...e lá, não há espaço nem tempo para a minha insônia.

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Quando um não-morto tende ao desencanto. Existem alguns bons motivos os quais me permitem gostar de um ser humano em especial. No entanto, a ansiedade me traz insônia e a noite que lembra repouso, abriga os delírios de um amante que não se contenta com o presente. Há momentos que penso seriamente em não pensar mais, logo amar de fato, sentir plenamente. Sei que não é possível tal coisa. Assim como não é possível compreender o porquê de muitas pessoas não entenderem o porquê de suas ações. Sei que alguns conhecem o sentido da maioria de seus atos. Entendem bem a lógica. Sabem da causalidade. Sentem em dia consigo mesmos ao enfrentar a si mesmos num jogo de autocorrupção e interesses. Levam a vida e não se entregam à ela. Pois bem, absurdos possíveis. Ainda me presto à Honra.

sábado, junho 09, 2007

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Já vai tarde. Duas vezes seis e continuo reduzindo meu tempo a poucos sinais confusos que não provam ao certo se estou vivo ou não. Lampejos de prazer que vez ou outra aparecem tratam de me fazer bem. Lá fora parece tão desinteressante...Parece que a convivência com o exterior deixa muito a desejar. Eu, fechado em meu egoísmo, dançando sem saber dançar uma formosa valsa que ora lembra um tango e outro silêncio. Vá você então e embarque no expresso do desespero. Parecerá vazio, mas habitam fantasmas demais nessa viagem...

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Partir É Morrer Um Pouco

(José Carlos Ary dos Santos)

Adeus parceiros das farras
Dos copos e das noitadas
Adeus sombras da cidade
Adeus langor das guitarras
Canto de esperanças frustradas
Alvorada de saudade.

Meu coração como louco
Quer desgarrar no meu peito
Transforma em soluço a voz
Partir é morrer um pouco
A alma de certo jeito
A expirar dentro de nós.

Voam mágoas em pedaços
Como aves que se não cansam
Ilusões esparsas no ar.
Partir é estender os braços
Aos sonhos que não se alcançam
Cujo destino é ficar.

Deixo a minh’alma no cais
De longe alcanço sinais
Feitos de pranto a correr.
Quem morre não sofre mais
Mas quem parte é dor demais
É bem pior que morrer!

Quem morre não sofre mais
Mas quem parte é dor demais
É bem pior que morrer!