domingo, dezembro 30, 2007

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De um lado vi ramos, do outro, cascas. Nada que plantasse ali poderia não brotar. Os cascos do cavalo Tristão já gastos e com fissuras como a dos meus calcanhares sujos de terra. Ali no alto do corgo, um lobo guará foi encontrado ainda filhote e criado pelas crianças da fazenda. Um dia seu Patrão me chamou e eu dei cabo do serviço para lá da represa. As crianças choraram umas pela perda outros pela morte. Dona Simes trouxe lá da boqueirão dois gatos dentro de uma saca de arroz sujo que devolveram a alegria da Maria e do Pedro. Parece que eu matei a felicidade deles e não do lobo.
Pouco antes da hora do passeio à cavalo pela dona patroa, era comum eu avisar a criada Ester para arrumar uma pequena cesta para que levasse na cavalgada. Eu a acompnahava a pedido do seu Patrão e geralmente fazia o caminho com mais sombra que chegaria há um grande salgueiro, lugar este, onde acostomava a deitar um lençol azul claro. Puxava um livro de seu embornal e perguntava para mim e se queria uma "maça saborosa". Dona Simês ficava pouco menos de dez minutos e já começava a dormir. Quando via que estava já em roncos, deixava-a um pouco para fazer minhs necessidades. No agachar no meio do capim é comum a presença de moscas e formiga. É preciso aproveitar as folhas que estão à mão nomomento, que não seja sendo urtiga ou carrapicho, para fazer uma boa limpeza. De volta à fazenda, uma parede branca, imensa e coberta por janelas de madeiras pintadas de azul escuro. Aqui na fazenda, eu ainda faço mais trabalho para juntar dinheiro para a passagem. Quero ir para fora dessa terra e encontrar o que não achei em mim. Nem o nome que escolheram para mim - Hadilson - corresponde como o meu jeito de ser, viver e escolher.
Lá na ponta da represa tem um altar coberto que parece uma caverna que demorei uma semana para fazer. Hoje só tem pedaço de Santa Bárbara e o as velas que acendi ao longo do tempo, mas eu vou assim mesmo pedir com fé à Mãe Imaculada que me leve para fora desse mundo e me deixe viver em outro. Por mais de 25 anos esssa oração me persegue e eu não desisto. O meu próximo plano é pregar placas na estrada de terra indicando o caminho para a fazenda. Queria fazer a mesma coisa para mim. Placas que me dissessem para onde eu ir...

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