domingo, dezembro 30, 2007

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Com calma, eu tiro os anzóis dos dedos do filho do patrão. Ele me olha com confiança e eu com medo digo que não vai doer nada. Pouco pode-se esperar de um semi-analfabeto e esse rapaz confia no pouco que eu sei. O anzol foi retirado, alívio para ambos. De volta a casa do seu Patrão eu ouço um rebuliço lá de dentro. Os patrões estão discutindo sobre algo. Estou me aproximando e entendo que o problema é a minha presença que acaba por constranger as crianças porque eu ando armado, segundo a dona Simes. O velho Patrão nitidamente desnorteado sabe que me tirando daqui atrapalharia muito sua vida (fora o rabo preso que ele tem comigo quando o encontrei com a irmã mais velha da dona Simes.). Ele viu que estava ali e logo me convidou para sentar. Disse dos meus valores e prestividade para depois me propor um novo emprego junto a um amigo na cidade. Eu queria ir embora mesmo e então foi nessa oportunidade que fui. Arriei o cavalo, peguei um cobertor e um saco com paçoca. Uma mala velha de minha avó e algumas reservas para quando chegasse lá tivesse onde dormir. Acendi um paieiro como despedida, coloquei o chapéu e pensei que eu não deveria ter recusado a maçã da dona Simes. Com 25 anos pra completar em um mês, não é coisa de homem fugir do destino. O meu era ser alguém mais que meus ancestrais. Um caso sério que deu ceerto na vida e devolveu a família todo tipo de riqueza que o trabalho trás.

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