sábado, novembro 01, 2008

201

Into My Arms (tradução)
Nick Cave & The Bad Seeds
Composição: Indisponível
Eu não acredito em um deus intervencionistaMas eu sei, meu amor, que tu acreditasE se eu também acreditasse, eu ajoelhariaE rogaria a eleQue não tocasse num único fio de cabelo de tua cabeçaQue te deixasse do jeito que tu ésE se ele sentisse que precisa te guiarQue ele te guie direto para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosE eu não acredito na existência de anjosMas ao te olhar, me pergunto se não é verdadeE se eu acreditasse, eu os convocaria a todos juntosE pediria que te guardassemQue cada um lhe acendesse uma velaPara fazerem o teu caminho limpo e iluminadoE andarem, como cristo, em graça e amorE te guiarem para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPorém, no amor eu acreditoE eu sei que tu também acreditasE eu acredito em algum tipo de caminhoQue nós podemos seguir andando, tu e euEntão, mantenha tuas velas acesasQue faça da jornada dela pura e brilhanteQue ela irá sempre retornarSempre e sempre maisPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braçosPara os meus braços, oh, deus, para os meus braços...

terça-feira, outubro 21, 2008

200

Coração...aguente as consequências, coração
aguente essas ausencias coração...

199

É tarde e
nada que eu escreva será novo.
É tarde e
a descarga de mágoas vão para as mãos
Tudo que eu vejo
é produto de lentes e luz
São doze meses mais uma primavera
Um ao menos morre sem mais
Um sem querer vive de menos

segunda-feira, julho 07, 2008

198

Wolfsheim - Lovesong


I want kiss you,want feel you...want drown in your desire
your silky skin,a tender touch
A sigh that promisses so much
I want kiss you,want feel you,so deep
And so we dance...

domingo, junho 22, 2008

196












Surpresas tecnológicas.
Atento as variações de humor do tempo, recorri a clarividência para encontrar sobras do futuro aqui no presente: O grande ditador do futuro é uma fenda no céu.

195

Segredos. Ri muito hoje. Resolvi declarar-me morto. Pois é um dia de compras lá no necrotério. Comprarei até o sonho mais absurdo daquele defunto.

194

Larvas corajosas. Vi com meus próprios olhos que os vermes hão de comer. A vontade daquela senhora é de pisar no besouro. O cálculo no meio do caminho é para enterrar mais prédios no chão e trazer você e eu para mais uma jornada de trabalho. No topo um macaco joga pedras em que tenta escalar até lá. O conforto vivo do poder. Larvas corajosas, por que comem tanta carne podre?

193

Ânsia de ansioso. Você está ansioso com a chegada da idade? Remete-lhe a boa vida que levou? Tenho que ser sincero...não me diz respeito nada que venha da antiguidade de minha vida. De tudo que é 'passado' sobra um produto de má qualidade desprezado pelo criador e com fortes sintomas de insanidade - ó nobre loucura. O vergonhoso momento em que me encontro não possui traços de coerência e muito menos de substratos de angústia e desolamento. O dano maior ainda é da vida que construímos para além de nossas posses, para além do chão e das pedrinhas. O velho cansado diz para o inquieto jovem: - Aproveite.

192

Cisma. Apresente-se, nobre loucura. Seja mais que benvinda. Aqui te respeitam mais que aquele rato que rói a roupa do cadáver. É ainda muito querida entre aqueles que disseram palavras de amor. Um ideal para viver. Um corredor polonês de verdades construídas por mentirosos. É grande aqui, senhora loucura. Ouve-se muitas anedotas sobre sua digníssima pessoa, mas garanto-lhe que é assim mesmo é muito amada. Quando não me querem por perto alegam sua presença. Disso tudo ainda resta dizer da sua falta de normalidade...

quinta-feira, maio 22, 2008

191



Just give me a second, darling, to clear my head
Just put down those scissors, baby
On the single bed
The sand in the hour glass is running low
I came through thunder, the cold, wind, the rain and the snow
To find you awake by your window sill
A sight for saw eyes, and a view to kill

I broke down in horror at you standing there
The glow from the moon shone through cracks in your hair
I shouted with passion “ I love you so much”
But feeling my skin, it was cold to the touch
You whispered where are you?
I questioned your doubt
But soon realised you were talking to God now

You got blood your hands
And I know it’s mine
I just need more time
So get of your low, let’s dance like we used to
But there’s a light in the distance, waiting for me
I will wait for you
So get of your low, let’s kiss like we used to

I looked in the mirror, but something was wrong
I saw you behind, but my reflection was gone
There was smoke in the fireplace as white as the snow
A voice then come gently “It’s your time to go”
as you beg for forgiveness
“Don’t touch me” I screamed
I’ve got unfinished business

You got blood your hands
And I know it’s mine
I just need more time
So get of your low, let’s dance like we used to
But there’s a light in the distance, waiting for me
I will wait for you
So get of your low, let’s kiss like we used to

You got blood your hands
And I know it’s mine
I just need more time
So get of your low, let’s dance like we used to
But there’s a light in the distance, waiting for me
I will wait for you
So get of your low, let’s kiss like we used to

domingo, maio 04, 2008

190

189

Certezas neuróticas e outros assuntos pendentes. Um rosto lindo a seu ver, um dia bonito do seu jeito e um futuro dizendo sim. Quieto e sem muito murmúrio está o sujeito que busca equilíbrio. Está sem vontade e sem animo para começar seus dias e mal consegue dormir à noite. Quem me dera levantar com um desfribilizador ao invés de um humor digno de enterro. "Hoje você pode ser feliz...desde que acredite!" São tantas condições que esbarram naquela certeza do mundo melhor...para os outros. O egoísmo faz mal.

188

Sem travas. É difícil um edifício. Edifico coisas tão pequenas.

segunda-feira, abril 28, 2008

187

I'm on a roll, I'm on a roll, this time, I feel my luck could change
Kill me Sarah, kill me again with love, it's gonna be"a glorious day
Pull me out of the aircrash, pull me out of the wreck, cause I'm your superhero
We are standing on the"edge
The head of state is calling my name but I, I don't have time for you
It's gonna be a glorius day, I feel my luck could change
Pull me out of the aircrash, pull me out of the wreck, cause I'm your superhero
We are standing on the edge, we are standing on the edge

We are standing on the edge

186

Dúvidas. É para o coração este singelo presente? Você me traz amor ou uma flor ? Quer que eu vá e alivei a sua dor? Rimas com amor são as mais fáceis...quero ver você rimar com desespero.

sábado, abril 26, 2008

185

Nanobots replacing neurons.

"Conta tudo pra sua mãe, Kiko!"

184

Quando os nanorobôs ...














trouxerem

















Você aceitará?

183

Concentrando neurônios...em vias de revolução. Toda revolução que seja Revolução demanda violência. Não me convide para nenhuma...pois se não fui ainda, é porque não a considerei de fato "Uma".

182

As realizações de um mondo fake. What's this? Ambition make u pretty ugly!

sábado, abril 12, 2008

181

Certezas duvidosas e como eu acredito nas extremidades. Veloz? Reconheço de longe esse olhar. O casulo que mora o desejo de cada uma de vocês. Teria eu que disputar com algum homem o coração de uma mulher? Elas possuem segredo....dúvidas...mas que diabos fazem com as respostas? Eu sou uma boa resposta...um valium para suas inquietações e um ecstasy para seus desejos. O que mais falta ao insaciável? Um beijo de bom dia é um belo beijo de bom dia, mas aquele dia foi bom. Bom demais para ser verdade. Adoro suas mãos, dedos e sua vontade de estar perto de mim...que coração é esse que parece racional dentre os tantos...? Digo a verdade senhorita!

180

the drugs don't work, ok. Ciao.

domingo, abril 06, 2008

179

Permita-me.

Permita-me tempo...
Permita-me viver.
Permita-me o vento.
Permita-me natureza.
Permita-me um abraço.
Permita-me uma noite de sono.
Permita-me viver sem.
Permita-me querer.
Permita-me três beijos, um agora e dois amanhã.
Permite-me essa dança?
Permita-me nove mil elogios.
Permita-me ontem e agora.
Permita-me esse beijo...
Permita-me esse arrepio.
Permita-me o toque em seus cabelos.
Permite-me chorar?
Permita-me aguardar...
Permita-me ir sem saber
Permita-me libertar
Permita-me permitir.
Permita-me cansar.
Permita-me errar.
Permita-me voltar.
Permita-me esta tarde.
Permita-me esse olhar.
Permita-me 'para sempre'
Permita-me 'te amar'.

sexta-feira, março 28, 2008

178

Alguns minutos para o fim do tempo. De onde vem tem tanta vontade de amar o que não conhece tão bem? Quem envia o fim quando o começo não decidiu começar? Que sentido faz um minuto se a senhorita não participa de um segundo? Sou pura energia. Vivo sem viver. Já morri em vários amores e vivo no seu. Lanço a um dia no futuro contra todos do passado. Sou descanso em teus braços. Sou amante da sua dúvida e estranho nas palavras. Reconheço na senhorita um sentido. Um caminho com mais certezas. Um sentimento vivo. Refeito e iluminado por amor. Como não se ama há muito tempo.

177

Por amor? Se bem sei, vivo nas sombras. Torço pela luz. A senhorita é estrela. Imagino carinhos próprios para alguém que brilha. Que ar cobre o seu rosto? Qual é o cor do contorno do seu corpo? Quem me ensina como te alcançar? Que beijo gostas? Quando prefere adormecer? Eu vim tarde, eu sei. Ainda vale o clichê 'é tarde para amar?'?

176

Entre raios. Vi que ali vive um pouco da senhorita. Um perfume com suco da tarde. Quando pássaros sem nome cantam e um sol procurando cama repousa seu brilho em seus cabelos. O castanho nada em seus ombros e ali, bem perto dali, mora um "eu" perdido. Que não sabe que dia comemora seu aniversário...e não sabe como não se apaixonar.

175

Para não deixar para amanhã. Se o seu olhar viver em outra época, sinto que ali estarei. Por que não viver por um dia sequer ao teu lado? Convivo sim com a verdade dos teus dias. Um feliz dia será...uma dança que não tem fim refinando a alegria de um beijo.

quinta-feira, março 27, 2008

174

o perfume do amor do amanha eu conheço de ontem...chama-se senhorita. De tão "correta" a razão não participa dessa história. Ela é parva demais no que diz respeito a vida. Para cada ser, natural ou não, existe um espaço para uma fábula contemporânea. Sem quase nada de Camões ou de Paulo, um conto hoje não é muito educado ou politizado pelas normas das palavras. Para ser sincera essa história se concede licença poética e faz ficção com verdades. Hoje bem cedo eu acordei com vontade de acordar...Pode parecer redundante, mas nós temos dias que não nos convidam a viver. Sabe que não sabes muito desse não-viver, não é? A morte ainda é aquela gigante interrogação escondida no nosso porão. Pois bem, hoje acordei aliado a vida. Planejamos junto uma vingança. Contra todo aquele torpor de sentimentos que vira e mexe a novela nos proporciona. Aquele falso beijo não tem nada a ver com essa vontade que EU tenho de beijar. Sabe de uma coisa? No futuro vive um alguém que pode ser eu mais interessante do que o real aqui do presente. É de lá que alguém tem que dar notícia e reforçar que ainda é a esperança que constrói os caminhos. É no amanhã que a senhorita mora e eu sei que irei visitá-la em breve. Pois bem...eu criarei a máquina do tempo antes de qualquer físico e suas fórmulas.

terça-feira, março 11, 2008

173

Acontece. As mil inúteis razões a serem consideradas (dentre elas as mais morais) não me permitem um caminho simples dentro de uma resignação. Uma inércia falsa que nada tem a ver com a dialética que ronda a minha alma e as minhas almas. Cabe a mim aguardar nesse mundo (esse mundo de luz e pecados) caso um dia a senhorita precise aqui estar por um motivo absurdo ou pela mais nobre das causas. Acontece que um dia precisamos ir para a guerra e nesse território eu posso te ajudar...e quando eu, cansado e possivelmente esfacelado pelos conflitos precisar de um lugar calmo, seguro e saudável que você vive, espero que tenha um lugar reservado para os anjos caídos recuperarem suas dívidas com o céu e que a senhorita, em algum momento, possa me amparar. Não sei se é uma proposta válida ou exequível...no entanto, nossos mundos colidem e eu não sei como lidar com esse presente nem com a falta dele.

172

2. Se é para ser sincero sei que amo. Sinto que ainda é 'amar'. No meu dia eu posso negar as paixões inusitadas de todos nós e que alguém perdoe nossas atrocidades cotidianas e as verdades do coração que não digo em voz alta. O meu lamento (se é para ser assim) é que com tantos amores que nos cercam, por que cabe somente o tempo escolher quando os mais bonitos chegam (e se vão)? Amanhã olho para a senhorita e não tenho nem sequer uma pequena gota para demonstrar do oceano que é esse amor (contido) que sinto.

171

1. Na minha infância. Era uma menina (como a senhorita é hoje) que eu sonhava e rezava um dia encontrar. Hoje passo pela vida (e ela passa sobre mim) e o desejo ainda é o mesmo, num corpo já cansado e desgastado pelos vários sonhos mortos pelo tempo e desilusões. O caminhar é lento, mas o coração quase implode ao ressuscitar todo o (teu) semblante na minha memória. O presente é esse:fechado pelas nossas escolhas e preenchido por alguns desencontros.

quinta-feira, março 06, 2008

170

Os porquês desse mundo imperfeito insistem em bater a porta das mil razões. Um livro mal escrito ainda sim é um livro. Um velho ainda é novo quando quer. Um cansado coração entristece nas impossibilidades dessa e de outras vidas e eu pergunto: o que acontece na superfície da sua alma? Seu olhar tem perfume...O meu tem pecado. Vivo numa licença poética definitiva com o criador e não sou menos daquilo que demonstro... Sou quase um nada perante a força maior da lógica da sua paz. No meu campo faz guerra e no seu faz amor. Você caminha de olhos fechados e sobrevive...eu tenho olhos secos e mal sei andar. O céu pergunta e você responde.
Nada que a dialética não pinte...o meu céu negro desenha uma lua quando o teu sol deixa a Terra e isso só acontece pra que exista o seu dia.
Para que exista o bem...Para que alguém durma, para que alguém sonhe, para que alguém viva...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O que eu sei sobre Relações Internacionais - Parte III.
Aos que ainda crêem em RI: Continuem, o choque de realidade lá na frente vale a pena.
Aos que sentem que algo precisa mudar: Tirem essa camisa "Che" e vão trabalhar.
Aos que não concordam comigo: parecem estar no caminho correto.
Aos que estão pouco se fudendo: Deveriam praticar mais sexo.
Aos que ficaram tristes: Que tal estudar Química Fina? Física? Livros de Auto-Ajuda?

Prazer, meu nome é Thiago. Bom esse nada que você está pensando e belo esse vazio que veste.

169

O que eu sei sobre Relações Internacionais - Parte II: Parece que alguns jovens que escolhem esse curso no Brasil são inicialmente levadas a crer que há possibilidade de um mundo melhor e que serão agentes transformadores dessa "era". Alguns até pretendem levar o Brasil à condição de potência. Depois do momento "idealista", o aluno passa ao "realista": Não há emprego no Brasil para os ex-alunos de Relações Internacionais. Não que não haja trabalho, o que é diferente. Conscientes da história do grande negócio chamado "Brasil" em seus quinhentos anos sabem bem o lugar de um analista de relações internacionais. Os bons olhos dos especialistas em "marketing" viram uma grande oportunidade na academia de lucrar com a falta de ídolos e de uma geração niilista que sem ideologia quer mudar um mundo que nem ditadura mais tem. Necrófilos dos autores europeus ou entusiastas dos contemporâneos cientistas da América se esmurram por uma descrição fidedigna de um mundo que dependem de "museus de conhecimento" para traduzir o presente.

168

O que eu sei sobre Relações Internacionais. Homens fazem guerra e acreditam em paz. Pessoas como eu e você, jogam War e buscam carreiras e salários. Política é privilégio de quem nunca leu Hobbes e sabe o Leviatã de cor. Economia está em função da cristandade e da "justiça" no século XXI. A ciência é "a menos pior" crença. A esperança move os seres humanos e o instinto é uma palavra bonita que nenhum animal entende senão o homem.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

167

Fui agente funerário por muitos anos em Minas Gerais. Morava num hotel barato com delicioso café da manhã: pão com manteiga e café. Naquela época tinha fortes dores de cabeça e um rádio que não sintonizava Zé Betio direito. Já a Rádio Globo, pegava bem. Ali tinha parede no teto, não via o telhado igual da fazenda. Aos sábados íamos eu, Truta e o Padrin ao cinema, na época que era permitido fumar lá dentro. As sessões também tinham pausa para o mictório e para o cafézinho. Eu comprava bala chita e guardava pra semana inteira. O segredo estava em pedir a moça de avental azul as balinhas. Ela sorria quando elogiava o seu cabelo e me dava mais algumas. Um dia até ganhei um chocolate dela. Nunca a vi fora do cinema. Meses depois o cinema fechou e só sobrou as quermesses, as folias de reis, alguns bailes, uns bares e a tal discoteca. Até gostava de algumas músicas, mas não entendia o que falavam...Depois do serviço, o Padrin me ajudava com o violão. Não sabia tocar direito mas era duas ou três toadas que fazendo direitinho chamava a atenção das moças para nós. Um dia parou um Opala do ano, como nínguem havia visto ainda e de lá de dentro saiu um velho com um chapéu novo combinando com os bancos do automóvel. Perguntou se sabíamos tocar uma do Zé Rico. O Padrin disse que sabia embora não soubesse. E começamos os dois...minha voz tremia e o o velho do Opala cantava e chorava conosco...Emocionado, tirou um 38 da cintura e deu dois tiros para cima. Contou que o filho havia morrido na noite passada e a moda que nos cantamos era a sua preferida. Passou um pouquinho, foi na venda, nos deu uma garrfa de cachaça e se foi. Essa garrafa durou até eu ir embora dali. O Truta bebia até cair. Quem o acudia era Sebastiana, sua filha do meio - porque a mais velha tinha morrido e a nova morava com a vó. A Sebastiana gostava de novela e de tricot. Sabia as músicas de Altemar Dutra de cor e cantava sempre nas festas da igreja. O Truta não gostava e achava que a filha dava "desgosto". Eu a achava bonita. Tão linda quanto a moça de São Paulo. Sebastiana era de Campo Grande e sabia dançar bonito. O Truta era do Rio Grande do Sul e toda aquela coisa de tradição foi com a família para o Mato Grosso. Agora em Minas, sem a mulher e só com a Sebastiana, o Truta só bebia e chorava.

sábado, janeiro 05, 2008

166

Parece existir um esforço tremendo da distância destruir gradualmente qualquer elo. um suplício para cada egoísta essa constatação.

terça-feira, janeiro 01, 2008

165

Por que não escrevo para Ela? Nas brigas elétricas do meu pensar, ajo estranhamente quando retribuo o carinho Dela. Nos lampejos de humor, sorrio e choro o nome Dela. Quem vê pensa que estou aflito, sem jeito, desarrumado, maltrapilho, encasquetado, negligente, entediado, aloprado...um felizardo do acaso. De fato o amor po Ela é caso sério, no entanto, traio minha querida com essa dama incontrolável chamada esperança. Uma paixão indecente e promíscua com essa velha produz algo que se comemora quando ela nasce e chora-se quando morre. Fácil como dizer "eu te amo" é sentir que gosto de você. Sucos desses dias são um tanto amargos e mal-cheirosos e mesmo assim há um conflito marcado sem hora para acontecer na minha decisão chamada "sentir": olho nos seus olhos, sem o reconhecimento do mundo, e digo que não vivo sem o seu modo único de me amar sem falar de amor.

164

Ali ou por ali, perto da vida e próximo à morte, um velho barco parou de funcionar por alguns minutos. Sem seus medos à bordo e com todos por perto, avistou uma brecha de luz que vaiava a água que ali parava. Não se pode ir muito longe com o casco comprometido, disse a luz. Se ainda quer no mar ficar, precisa vagar só e sem luz. O que ainda vale é o navegar.

163

Participarei do vento, mesmo que esse não tenha nem um pingo de discernimento...vou com o vento. Na casa da moça bonita há coisas sagradas que os somente os gatos conhecem. Nos nós do coração, ela faz misérias para ser nova na ilha idosa.