sexta-feira, março 28, 2008

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Alguns minutos para o fim do tempo. De onde vem tem tanta vontade de amar o que não conhece tão bem? Quem envia o fim quando o começo não decidiu começar? Que sentido faz um minuto se a senhorita não participa de um segundo? Sou pura energia. Vivo sem viver. Já morri em vários amores e vivo no seu. Lanço a um dia no futuro contra todos do passado. Sou descanso em teus braços. Sou amante da sua dúvida e estranho nas palavras. Reconheço na senhorita um sentido. Um caminho com mais certezas. Um sentimento vivo. Refeito e iluminado por amor. Como não se ama há muito tempo.

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Por amor? Se bem sei, vivo nas sombras. Torço pela luz. A senhorita é estrela. Imagino carinhos próprios para alguém que brilha. Que ar cobre o seu rosto? Qual é o cor do contorno do seu corpo? Quem me ensina como te alcançar? Que beijo gostas? Quando prefere adormecer? Eu vim tarde, eu sei. Ainda vale o clichê 'é tarde para amar?'?

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Entre raios. Vi que ali vive um pouco da senhorita. Um perfume com suco da tarde. Quando pássaros sem nome cantam e um sol procurando cama repousa seu brilho em seus cabelos. O castanho nada em seus ombros e ali, bem perto dali, mora um "eu" perdido. Que não sabe que dia comemora seu aniversário...e não sabe como não se apaixonar.

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Para não deixar para amanhã. Se o seu olhar viver em outra época, sinto que ali estarei. Por que não viver por um dia sequer ao teu lado? Convivo sim com a verdade dos teus dias. Um feliz dia será...uma dança que não tem fim refinando a alegria de um beijo.

quinta-feira, março 27, 2008

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o perfume do amor do amanha eu conheço de ontem...chama-se senhorita. De tão "correta" a razão não participa dessa história. Ela é parva demais no que diz respeito a vida. Para cada ser, natural ou não, existe um espaço para uma fábula contemporânea. Sem quase nada de Camões ou de Paulo, um conto hoje não é muito educado ou politizado pelas normas das palavras. Para ser sincera essa história se concede licença poética e faz ficção com verdades. Hoje bem cedo eu acordei com vontade de acordar...Pode parecer redundante, mas nós temos dias que não nos convidam a viver. Sabe que não sabes muito desse não-viver, não é? A morte ainda é aquela gigante interrogação escondida no nosso porão. Pois bem, hoje acordei aliado a vida. Planejamos junto uma vingança. Contra todo aquele torpor de sentimentos que vira e mexe a novela nos proporciona. Aquele falso beijo não tem nada a ver com essa vontade que EU tenho de beijar. Sabe de uma coisa? No futuro vive um alguém que pode ser eu mais interessante do que o real aqui do presente. É de lá que alguém tem que dar notícia e reforçar que ainda é a esperança que constrói os caminhos. É no amanhã que a senhorita mora e eu sei que irei visitá-la em breve. Pois bem...eu criarei a máquina do tempo antes de qualquer físico e suas fórmulas.

terça-feira, março 11, 2008

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Acontece. As mil inúteis razões a serem consideradas (dentre elas as mais morais) não me permitem um caminho simples dentro de uma resignação. Uma inércia falsa que nada tem a ver com a dialética que ronda a minha alma e as minhas almas. Cabe a mim aguardar nesse mundo (esse mundo de luz e pecados) caso um dia a senhorita precise aqui estar por um motivo absurdo ou pela mais nobre das causas. Acontece que um dia precisamos ir para a guerra e nesse território eu posso te ajudar...e quando eu, cansado e possivelmente esfacelado pelos conflitos precisar de um lugar calmo, seguro e saudável que você vive, espero que tenha um lugar reservado para os anjos caídos recuperarem suas dívidas com o céu e que a senhorita, em algum momento, possa me amparar. Não sei se é uma proposta válida ou exequível...no entanto, nossos mundos colidem e eu não sei como lidar com esse presente nem com a falta dele.

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2. Se é para ser sincero sei que amo. Sinto que ainda é 'amar'. No meu dia eu posso negar as paixões inusitadas de todos nós e que alguém perdoe nossas atrocidades cotidianas e as verdades do coração que não digo em voz alta. O meu lamento (se é para ser assim) é que com tantos amores que nos cercam, por que cabe somente o tempo escolher quando os mais bonitos chegam (e se vão)? Amanhã olho para a senhorita e não tenho nem sequer uma pequena gota para demonstrar do oceano que é esse amor (contido) que sinto.

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1. Na minha infância. Era uma menina (como a senhorita é hoje) que eu sonhava e rezava um dia encontrar. Hoje passo pela vida (e ela passa sobre mim) e o desejo ainda é o mesmo, num corpo já cansado e desgastado pelos vários sonhos mortos pelo tempo e desilusões. O caminhar é lento, mas o coração quase implode ao ressuscitar todo o (teu) semblante na minha memória. O presente é esse:fechado pelas nossas escolhas e preenchido por alguns desencontros.

quinta-feira, março 06, 2008

170

Os porquês desse mundo imperfeito insistem em bater a porta das mil razões. Um livro mal escrito ainda sim é um livro. Um velho ainda é novo quando quer. Um cansado coração entristece nas impossibilidades dessa e de outras vidas e eu pergunto: o que acontece na superfície da sua alma? Seu olhar tem perfume...O meu tem pecado. Vivo numa licença poética definitiva com o criador e não sou menos daquilo que demonstro... Sou quase um nada perante a força maior da lógica da sua paz. No meu campo faz guerra e no seu faz amor. Você caminha de olhos fechados e sobrevive...eu tenho olhos secos e mal sei andar. O céu pergunta e você responde.
Nada que a dialética não pinte...o meu céu negro desenha uma lua quando o teu sol deixa a Terra e isso só acontece pra que exista o seu dia.
Para que exista o bem...Para que alguém durma, para que alguém sonhe, para que alguém viva...