domingo, junho 22, 2008

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Surpresas tecnológicas.
Atento as variações de humor do tempo, recorri a clarividência para encontrar sobras do futuro aqui no presente: O grande ditador do futuro é uma fenda no céu.

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Segredos. Ri muito hoje. Resolvi declarar-me morto. Pois é um dia de compras lá no necrotério. Comprarei até o sonho mais absurdo daquele defunto.

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Larvas corajosas. Vi com meus próprios olhos que os vermes hão de comer. A vontade daquela senhora é de pisar no besouro. O cálculo no meio do caminho é para enterrar mais prédios no chão e trazer você e eu para mais uma jornada de trabalho. No topo um macaco joga pedras em que tenta escalar até lá. O conforto vivo do poder. Larvas corajosas, por que comem tanta carne podre?

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Ânsia de ansioso. Você está ansioso com a chegada da idade? Remete-lhe a boa vida que levou? Tenho que ser sincero...não me diz respeito nada que venha da antiguidade de minha vida. De tudo que é 'passado' sobra um produto de má qualidade desprezado pelo criador e com fortes sintomas de insanidade - ó nobre loucura. O vergonhoso momento em que me encontro não possui traços de coerência e muito menos de substratos de angústia e desolamento. O dano maior ainda é da vida que construímos para além de nossas posses, para além do chão e das pedrinhas. O velho cansado diz para o inquieto jovem: - Aproveite.

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Cisma. Apresente-se, nobre loucura. Seja mais que benvinda. Aqui te respeitam mais que aquele rato que rói a roupa do cadáver. É ainda muito querida entre aqueles que disseram palavras de amor. Um ideal para viver. Um corredor polonês de verdades construídas por mentirosos. É grande aqui, senhora loucura. Ouve-se muitas anedotas sobre sua digníssima pessoa, mas garanto-lhe que é assim mesmo é muito amada. Quando não me querem por perto alegam sua presença. Disso tudo ainda resta dizer da sua falta de normalidade...