sexta-feira, dezembro 04, 2009

220

Apetite

Fios castanhos claros,
lábios
e um olhar delineado.
Seu corpo é um remanso
onde meu desejo mora.

Represento um só homem
de várias guerras:
um lobo dócil
para devorar
seus medos.

Sem razão, motivo ou moral,
entorno meus olhos sobre os teus
Alimento-me de beijos, me
aqueço em teus seios e
encerro meu apetite
...agora.

terça-feira, novembro 03, 2009

219

Aquela sem aquele
(ou como o caos atropela os honrados)

Deixe que te abrace, Aquela
Bela sorri sincera, aquele
Perfume e pouco suor, aquela
Distancia acabando, aquele
Alguém, Aquela...

Deixe o beijo aparecer, daquele...
Bobo abobado, daquela
Vontade de te devorar, Aquela
Suspiro demorado na pele, daquela
Que sempre brilha...Aquela
Flor, Aquela...

quinta-feira, outubro 15, 2009

218

Minha casa, minha vida. Um lugar fechado para guardar minhas coisas...para guardar coisas. Para guardar meu corpo. Para fechar portas e janelas. Para não sentir o frio. Para armazenar fungos e criar ácaros. Pois bem...uma casa não é somente uma casa: é um fim de vida. Que digam os idosos em seus asilos que não possuem mais casa. Que anunciem os descamisados da favela e os patrões em suas mansões. Que seja bem verdadeiro um religioso e diga: não há residência para o sagrado.

217

Folia de Reis. É sabido que os reis dançam. Dançam e mandam. Se bem dançam, não importa. Aliás, são benditos por todos na corte. Um Rei pode ser sábio e temido. Os três reis magos homenagearam o bebê...dançando?

216

Baseado em "Mundo de sonhos" de João Renes. Andei entre vales e montes, provei águas de muitas fontes, pisei em terras distantes....na esperança de encontrar uma morte de verdade, talvez assim, o meu mundo de sonhos fosse realidade....voei como voam as aves, cruzei temprestades e mares, tentei alcançar outros ares, na esperança de encontrar o fim desta jornada, foi tudo em vão, o meu mundo de sonhos transformou-se em nada. Hoje o meu mundo de mortes não tem mais razão, pois nessa vida se perde quando nao se consegue viver a ilusão...

domingo, outubro 11, 2009

215

Já era tempo...
Recuar...recuar...tomar distância...correr...saltar...um salto com mais propulsão.
O velho reconhece o novo: um age.
Discordar...levitar sobre as palavras...reconhece sua órbita?
Daqui a pouco eu a beijo.
Ela não sabe.
Eu sou um acidente...e amanhã serei caos...megalomania?
Mantras modernos para o embate dos sentidos...
Já era tempo.

domingo, outubro 04, 2009

domingo, setembro 20, 2009

213

Transgressões.

Era uma época de velocípedes vermelhos de rodas azuis barulhentos nas ruas.
Pessoas com menos de trinta anos podem não imaginar tão bem uma situação assim, mas houve uma época mais segura no Brasil: quando o medo instaurado pela dominância do catolicismo dava o ar da graça nos lares das famílias. Nossos maus comportamentos eram facilmente associados a um tipo de pecado: carnais, habituais, velhos, mortais e o mais temido, o original. Evidentemente, para um bom moço acadêmico, essa segurança era hobbesiana e custava liberdade. Quanto mais medo do inferno, menos a polícia trabalhava.
Enfim, o cume a ser alcançado nessa minha divagação é o seguinte: a sedução como "pecado".
Não é um pecado simples para ser anulado por uma cantiga ou um não-sincero arrependimento: nele eu caí e derrubei alguns rebentos.
O meu desespero (na falta de palavra mais adequada para esse desassossego) arde como queimadura.
Cativar as pessoas não é algo prático, que se venda ou teorize. É muito mais singular do que os significados de "seduzir". É uma dádiva só compreendida pelos não simpáticos e os solitários.
Diretamente do inferno envio este post em português ruim, confesso: em busca de ser amado eu seduzi algumas pessoas nessa vida.
Agi assíduamente para que se apaixonassem por mim, para que eu me sentisse querido e não-abandonado.
Ardiloso esse mecanismo não, Deus? Parece até coisa de Satanás...ou do primo dele, Darwin.
Numa síntese teológica-psicanalítica-científica: a sedução é um mecanismo de sobrevivência da espécie conhecido pelos mais temerosos a Deus por "tentação".

"Oh Deus! Adornaste o pavão e o condenaste tanto pelas multicoloridas penas? É uma pena muito pesada para se carregar, Pai Eterno!"

Não me arrependo de todos os meus pecados, padres, mas essa queimadura está doendo muito em mim e nas vítimas desse estrategema egoísta. Gostaria de pagar meus débitos com algo melhor que a minha vida.

Como faço para deixar minha gentileza de lado? Onde deixo meu velotrol para não intimar ninguém a gostar de mim?

212

Falta dança? Falta grave? Meus excessos, minhas drogas e meus medos. Sólidos tropeços e falta de sincronia. Eu não me proponho a dança hoje. Essa sinergia de passos/modos e princípios/balanço não gravitaram em torno do meu corpo. Admiro a arte "dança", mas prefiro a pintura. Sinto muito ultimamente em não agradá-las com esse preâmbulo milenar para o sexo. Desculpe-me, sim? Sei que faltam alguns vários defeitos para sanar para te satisfazer...mesmo sabendo que a insaciabilidade me devorará primeiro.

sábado, setembro 19, 2009

211

Os sinônimos para "mudar".

Poucos viram minhas lágrimas. Não é exatamente exclusividade tal desinformação. Acontece que me afoguei nelas no passado e desde então, todos os dias eu as bebo um pouco. É como se a dor - o seu excesso -contribuísse para um paladar mais apurado para o sublime. Provavelmente é um equívoco, uma presunção ou mesmo uma fuga. No entanto, preferi levar as coisas para o rio dessas mágoas e refletí-las na medida do impossível. Ali, no seu avesso, naquela imagem que não é relato fiel daquilo que é, encontro novidades não tão claras aos olhos e nem mesmo na reprodução braille. Processo desgastante similar? Somente aquele que "vive" os enfermos, que na beira de seus leitos, suplicam às drogas um pouco mais de minutos com seus queridos. Não faço confusão aqui.
Somente levo ao rio o verbo "mudar" em busca de possibilidades:

Deslocar (de um lugar para outro lugar). Não é este reflexo que busco. A sugestão do dicionário indica que as coisas continuam como estão...só mudam de lugar. Uma dor de dente em Atlântida ainda é uma dor de dente na Lua.

Variar. Dizem felizes "é bom variar". Outro sinônimo que não me agrada. Parece encarcerado. "Constantemente saboreio vinhos franceses. Quando decido variar, caríssimos também são para mim os chilenos, argentinos e brasileiros.". Pode a uva americana ser isenta de pecado, o sujeito continuará preferindo aqueles produzidos nos vinhedos da Domaine de la Romanée-Conti.

Substituir. Uma lâmpada queima e eu a substituo: ambas iluminam. No entanto, cabe aqui uma prudente ressalva: há lâmpadas mais fortes e que brilham intensamente. Caberá aquele que substitui, decidir levar menos ou mais luz e contabilizar os custos de uma ou outra.

Renovar. Acho improvável a sinonímia. Tornar novo "novamente". Não há sinais de fontes de juventude, ou melhor, desconhecemos os velhos novos, salvo um novo advento das pesquisas de genes nos próximos anos.

Alterar. Lembra "perturbar". Este reflexo me diz algo. Talvez por levar mais barulho. Por ter cara de "conjunto solução". Por assemelhar-se a transformação. Uma besta alterada já não é mais a fera de antes. Se morto for, vivo não é. Pela violência natural que uma mudança (de verdade) traz a um ser humano. Sem muito fino trato.

Este sinônimo me apraz.

Por alterar o curso do rio. Por mudar meu/seu paladar. Por me fazer chorar mais ou alterar as formas com que vejo os seus/meus reflexos. Por secar o rio. Por valorizar o amor e sua "funcionalidade". Por te ver chorar e me indignar. Por não te conhecer tão bem (e por nunca saber o que só você sente), mas te indicar os benefícios de mudar...não para o que considero "melhor" ou "pior", mas simplesmente por te ver "mutar".

Porque, de fato, mudar é natural.

210

Natureza. Parte 1. Parece que somente a natureza faz delivery de pequenas doses de verdade. Se o agora é tão duvidoso, ontem era tão certo. Falta adjetivos ao cético, este que nas suas várias teorias, deveria conhecer tão bem o âmago das coisas e devolver a nós os detalhes mais próximos da verdade, prefere respostas booleanas...curtas e grosseiras. Lembro-me. Como se fosse ontem: Atravessar a rua e olhar para todos os lados...poderia vir algo de cima ou de baixo, além da esquerda e da direita. Aquele sinal da minha infância era um forte indício daquilo que eu viria e me tornar: um acidente. Não encontrei momento consciente (disponível na memória) onde ambicionasse uma vida ordinária, mas a natureza me fez acreditar na força de um tufão ou de uma correnteza. Meus modelos de heróis ainda possuem reproduções do poder da natureza. A tal natureza faz com que nós, ditos humanos, deixem a vida sem muita explicação. Ela não nos explica seus motivos. E não há verdade maior que essa. "Uma árvore que nunca foi vista por você, existe ou não?" Eu garanto que ela existe...

204

Organizado? Desordenado até segunda ordem.

domingo, agosto 30, 2009

209

Desacredito e duvido das supresas tecnológicas e dos climatizadores, do meu pó mágico e da minha legião...no entanto, amo tanto a suas mãos. Leves mãos.

sexta-feira, junho 05, 2009

207

Mil novecentos e oitenta foi um ano raro. De um dia para outro a lua foi habitada como fungos em pão de forma.


Primeira leva de palavras.

As crianças de hoje não fazem idéia das cores do planeta Terra antes da Fenda. Do planeta azul vinha outras paletas de cores sem igual. Um dia claro de verão era um espetáculo gratuito de vidas e comentários sobre o futuro, sobre o amanhã. As máquinas ainda respondiam a um "Enter" e não havia exopolítcas estampadas em hologramas a cada esquina. Quando perguntadas sobre o que achavam sobre tal governante, as pessoas se mostravam prontas a responder e compor uma estatística. Elas não entendiam bem o porquê das coisas e nem faziam perguntas demais. Era uma época descontraída onde a música não havia sido convertida em arma e o medo tinha nome de "terrorismo". Salvaram-se poucas pessoas pela religião e algumas milhares pelas biopolíticas do doutor-maestro Michel.

Naquela época meus bisavós, como bons espiritualistas, pensavam na morte como uma passagem: tomavam o 'fim' como um novo começo; Típico da época onde esperança tinha peso teológico e valia como variável macroeconômica. Mais forte que a esperança somente a crença na incerteza. Imbuídas de "incerteza", aquelas pessoas criavam moedas e distribuíam entre si...

De uns três ou quatro e367 para cá, enfatizaram o uso da rica língua portuguesa para melhor expressar o novo momento. De longa data, sempre oferecem esses aperfeiçoamentos para nós: todo e367 ganhamos uma nova língua para cada um escrever para as antenas do passado. Cada "hora" recebemos novos pacotes de palavras. É fato que escrever é algo antiquado (obsoleto;arcaico) mas ainda sim é uma atividade bem vista pelos maestros...denota erudição da alma explorar línguas remotas - embora limitadíssimas ao neocomunicar contemporâneo. De bom grado também é pastichar antigos escritores...muitos se divertem ainda hoje com decalques daqueles que foram professores dos professores na compreensão do tempo e do espaço do planeta antes da Concórdia.

Segunda Leva de Palavras

O e367 ultrapassou o conceito de tempo enquando base de todas as intuições. Foi possível suprimir o próprio tempo no entendimento dos fenômenos em geral posto que a priori, fora nos apresentado pela Fenda que a realidade dos fenômenos era possível para além do tempo. O tempo não possuía apenas uma dimensão. Tempos diferentes surgem e são simultâneos e não necessariamente sucessivos. Só concordamos, que tempos diferentes são partes de um mesmo tempo. Logo o contaminado sentido que nossos seres tinham de tempo impediu os mesmos de ultrapassar o própio. Com a Fenda, o tempo deixa de ser referência e ganha evidência de não-negação em e367, um novo posto para passagem de consciência.

Primeiro, o tempo e nossa lembrança ao seu longo, o processamento das memórias declarativas envolvia o hipocampo, córtex entorrinal, além de outras estruturas corticais. As memórias procedurais ou implícitas são adquiridas gradativamente e, além disso, evocadas de modo inconsciente. Para exemplicar melhor: as memórias procedurais são as nossas habilidades de montar quebra-cabeças, andar de bicicleta, nadar. As memórias de procedimentos ou implícitas sofrem pouca modulação pelas emoções e estados de ânimo.


Costumávamos classificar as memórias (a grande medicina), em relação ao seu conteúdo, em dois grandes grupos: as memórias declarativas (aquelas para fatos ou eventos e qualquer informação que podiam ser expressas conscientemente) e as memórias procedurais, as quais envolviam basicamente habilidades motoras e/ou sensoriais, também chamadas de hábitos.
Tempos depois, após as precárias experiências no chamado século XXI, a memória deixava sua casa inaugural para um periférico de alguns poucos yobibytes - correspondentes binários caíram em desuso após a Fenda.
Sabemos hoje que nossas memórias são frgmentos de uma holomemória e dispensam condição material para a existência. Seu acesso foi evidenciado após a Exopolítica das Energias instaurada na Concórida.

Em relato breve, mas esclarecedor, o estupefato maestro Valentin, no primeiro encontro em sua holomemória anunciou:

"Antes, o que tínhamos por memória voluntária, sobretudo uma memória de mera inteligência e visão, que não nos dava, do passado, mais do que faces sem realidade; sobretudo se um perfume ou um sabor encontrados em algumas cirucunstâncias totalmente diferentes, evocavam em nós, à nossa revelia, o tal "passado", passávamos a sentir o quanto este passado fora diferente daquilo que acreditávamos lembrar, e que nossa memória voluntária pintava, como os maus pintores, com cores sem realidade. Já nesta primeira incursão a holomemória, eu (que sou eu ainda) encontrei todas as passagens de vida com nitidez além da ótica comum. Uma realidade de fato 'real' sem os obscurantismos comuns ao 'tempo'. Em verdade digo, sou mais do que sou e nunca deixei de ser algo em função do tempo."

sábado, maio 23, 2009

206

Há de ser feliz o dia dela...No mais que seja dia de céu limpo.
Nessa apatia científica, nada como chamas no quarto escuro de fotos nunca reveladas.

segunda-feira, maio 04, 2009

205

Thin air...




There's a light - when my baby's in my arms
There's a light - when the window shades are drawn
hesitate - when I feel I may do harm to her
wash it off - cause this feeling we can share
and I know she's reached my heart - in thin air

Byzantine is reflected in her arms
there's a cloud - but the water remains calm
reaching in - the sun's fingers clutch the dawn to pass
even out - it's a precious thing to bear
and I know she's reached my heart - in thin air

it's not in my past to presume love can keep on moving in bothdirections
how to be happy and true - is the a quest we're taking on together
taking on x 3

there's a light - when my baby's in my arms
and I know she's reached my heart - in thin air
yes I know she's reached my heart

quinta-feira, abril 02, 2009

203


GPS (não sabem onde vou)

Lembra dela?
O que o tempo faz com o amor?
Suas pulseiras e crenças
Acredito em todas elas...

Um passeio pelos corpos
Seres angelicais a caminho do fogo
Que não arde e não se vê
até que...

O que o tempo fez comigo?
Mensagens e ilusões ,
Certezas e promessas

Acredito em todas elas...
nas mais belas donzelas
e nas mais convictas tradições.

quinta-feira, março 26, 2009

202

Consulta aos números: 01

Uma trilha de cinzas no chão são pedaços de um vulcão
Lindos dedilhados de um momento encantado em violas,
enluaradas de cinco menos dois pares imperfeitos
aturdidos por um clarão

Tens a força que não tenho e caso venha só,
Que traga responsabilidade de quem viveu séculos,
Dirigindo o tempo em horas sem fim pra não...pra não
acreditar em tudo que se diz por aí

Leve como quem vomita culpas e ri de si mesmo,
De certo não é certo fingir "ser feliz" (ao vivo e com mais cortes)
Desnudo sem vergonha caminha pela vida e sorri!
Quando chora, ora...quando chove, melhora.