domingo, setembro 20, 2009

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Transgressões.

Era uma época de velocípedes vermelhos de rodas azuis barulhentos nas ruas.
Pessoas com menos de trinta anos podem não imaginar tão bem uma situação assim, mas houve uma época mais segura no Brasil: quando o medo instaurado pela dominância do catolicismo dava o ar da graça nos lares das famílias. Nossos maus comportamentos eram facilmente associados a um tipo de pecado: carnais, habituais, velhos, mortais e o mais temido, o original. Evidentemente, para um bom moço acadêmico, essa segurança era hobbesiana e custava liberdade. Quanto mais medo do inferno, menos a polícia trabalhava.
Enfim, o cume a ser alcançado nessa minha divagação é o seguinte: a sedução como "pecado".
Não é um pecado simples para ser anulado por uma cantiga ou um não-sincero arrependimento: nele eu caí e derrubei alguns rebentos.
O meu desespero (na falta de palavra mais adequada para esse desassossego) arde como queimadura.
Cativar as pessoas não é algo prático, que se venda ou teorize. É muito mais singular do que os significados de "seduzir". É uma dádiva só compreendida pelos não simpáticos e os solitários.
Diretamente do inferno envio este post em português ruim, confesso: em busca de ser amado eu seduzi algumas pessoas nessa vida.
Agi assíduamente para que se apaixonassem por mim, para que eu me sentisse querido e não-abandonado.
Ardiloso esse mecanismo não, Deus? Parece até coisa de Satanás...ou do primo dele, Darwin.
Numa síntese teológica-psicanalítica-científica: a sedução é um mecanismo de sobrevivência da espécie conhecido pelos mais temerosos a Deus por "tentação".

"Oh Deus! Adornaste o pavão e o condenaste tanto pelas multicoloridas penas? É uma pena muito pesada para se carregar, Pai Eterno!"

Não me arrependo de todos os meus pecados, padres, mas essa queimadura está doendo muito em mim e nas vítimas desse estrategema egoísta. Gostaria de pagar meus débitos com algo melhor que a minha vida.

Como faço para deixar minha gentileza de lado? Onde deixo meu velotrol para não intimar ninguém a gostar de mim?

4 comentários:

Anônimo disse...

don't worry, as vítimas sabem se cuidar.

Enila disse...

Hmm, foram muitas novas postagens. Esse último e o da dança me agradaram, talvez por ter entendido melhor. Mas como preciso ler os seus textos pelo menos umas duas vezes para achar que compreendi (dar uma chance para o tico e outra para o teco), assim que tiver mais tempo (sem trabs do duds =]), quero tentar "filosofar" tbm. Ahh, e os comentários que te perseguem, hmm, acho engraçado - sem querer magoar ninguém, acabam por complementar com fúria suas idéias. E como digo, temos que compartilhar idéias (olha o merchandising, hehe)!

Deucrécio disse...

você anda poderoso

Ana Clara disse...

Você só precisa de um velotrol
a maioria recorre à BMW.

Poliana's moment.