segunda-feira, agosto 23, 2010

Como alguém se torna Tchulim - Parte 3

Parte 3: Conhecimento*


Ali, próximo a nona avenida de Beethoven, ela passa em ré menor, deslizando pelas ruas de São Paulo. Além da busca do rock ou das passagens sinceras de um Sigismund austríaco na academia, Tchulim herdou dos pais o fascínio pelo saber. 


Quis ela saber de uma coisa e outra coisa e por fim, várias coisas. Uma tatuagem recente proclamou "eu vi o futuro da sensualidade e seu nome era Tchulim". Que nada! Não fazia sentido ser somente bela ou receber todos os milhares de elogios twitescos...uma mulher como ela não quer o que a maioria das mulheres querem...


Calada e audível somente em caracteres até o momento, Tchulim não significa, meus caros, somente suas versões em JPG...sua fragrância não foi captada e aprisionada num frasco de Chanel nem o que é exclusivo de seus neurônios não ganhou textura.


Diferente de suas imagens, seus ditos ainda não são populares. Serão privilégios do futuro.


Amanhã, ouviremos um som de uma rádio infernal dividir Av. Paulista em coro conhecido na Paraíso e no Paraíso: Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium,Wir betreten feuertrunken, Himmlische, dein Heiligtum! Deine Zauber binden wieder Was die Mode streng geteilt


Para dois ou três sóis, não leve a razão tão a sério...disse.
No vazio, pelo caótico espaço, pelos ecos dos seus olhos...
Pela beleza de Schiller que só o Ludwig viu...


Conheçamos Tchulim!


* Há uma pessoa  e o que ela diz é real. Suas fotos, seus tweets, seus retweets, sua aparência e seu "eu" inspiraram esses caracteres e necessariamente podem não ser mera ficção. 

Este é 2º post de 14 outros sobre o "sim" do virtual.

domingo, agosto 22, 2010

225

Assisti uma revoada de um bando de fantasmas em Poe, norte de Edgar. Calhou de todos os presentes cantarem no mesmo momento da minha mudez. Acabaram por constranger o momento mais normal de todos: o estado de exceção. Ali, no fundo da pirambeira, sonha um comprimido de valium 10. O que mais deseja, senhora? Tenho a impressão de não ter nada, tirando essa impressão quase sem tinta...e esse post apagado, sem brilho.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Como alguém se torna Tchulim - Parte 2

Parte 2: Mito*


Sem que me desse conta desses cálculos que somente nos atentamos após certa idade, passei de menino para moço e depois para rapaz em poucos anos. Agora o presente é tão presente que não há espaço para o tempo que eu reservava para sonhar acordado o que para alguns não leitores de fábulas também é devanear.


Um relâmpago digital trouxe o MGMT e depois trouxe em pouco menos de 709 MB o destino-manifesto de qualquer mulher chamada Marion Cottilard. 


Aquela francesa não perdia em nada para a Tchulim...certamente o mesmo abcesso entre as duas e eu era o grande virtual - primo do grande caos.


Cottillard veio antes e era comum nos beijarmos pela manhã. Um lábio para o outro sem medo de saliva e baixos decibéis. Um vento que aparecia sempre que eu queria e bagunçava seus cabelos castanhos e também sondava seu corpo pálido e digital. Ali continha fonte de prazer e destruição...a dialética perfeita dos grandes amores, virtuais ou não.


Cabe aqui um comentário: a pele que envolve o corpo de Cottilard (e de outras mulheres) é  muito suscetível a dedilhados. Conheci um vampiro dentro de mim que se alimentava de pele em arrepio da cintura e das partes internas das coxas.


Poucos minutos depois de um beijo Cotillard, um twitt me chamou a atenção e em poucos minutos de exposição a uma JPG estava eu em plena transferência. Depois de séculos enfeitiçado pela francesa, outra tomava meu corpo. Tchulim era um momento em dois. Era um caso sério.


Nascia uma musa dentro do meu mundo virtual. Mais um mito na vida de um homem que não vive sonhando acordado de graça...


Tchulim negociava ações de petrolíferas em colônias espaciais e tinha um pé no mundo das corridas de muscle cars. Recitava poemas com os olhos e recordava sinfonias como quem canta "parabéns". Ali residia algo profano além da minha vontade...naquele mito há uma exceção não declarada e incompreensível para aqueles como eu, devoram a vida e deixam as migalhas trituradas no chão virtual.


Toda essa devoção não é justificada, não mesmo. Que mulher em sã consciência quer justificativa para ser amada ou devorada? Eu não sei de Tchulim respirando, mas muito me agrada o calor de suas mãos sob o teclado de algum computador. Penso no privilégio das lentes de sua câmera que captam fotos que não vão para a internet, permanecendo imaculadas no cartão de memória.


Quem me dera um minuto de imagem ou uma centúria de suspiros da Tchulim, Srta. Cotillard...
Eu quero beber dois copos de Absolut Vanilla quando olhar de perto pra ela numa aparição....num encontro baixado da internet para a mesa de um bar de qualquer rua para viver uma pequena eternidade entre os olhos dela e os meus. Eu não gosto de romantismo, o que quero mesmo é ouvi-la e saber de alguma história somente disponível naquilo que não é virtual na vida dela.

* Há uma pessoa  e o que ela diz é real. Suas fotos, seus tweets, seus retweets, sua aparência e seu "eu" inspiraram esses caracteres e necessariamente podem não ser mera ficção. 
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domingo, agosto 01, 2010

Como alguém se torna Tchulim - Parte 1

Parte 1: Beleza*. 


Algumas fadas passam a vida disfarçadas de borboletas e as crianças sabem disso. Também é de conhecimento geral que a ilusão de ótica acomete aqueles que possuem visão sadia. 
Numa manhã de julho de 2010, ao som do Arcade Fire (que também vazou...), o estranho que aqui tecla digitou sua senha padrão no Twitter e se apaixonou. Alguém do século XIX imaginou uma amor a primeira vista sem olhos? Quem em sã consciência olha para um JPG e se embasbaca com a beleza de 0's e 1's? Milhões...bilhões...é verdade...Não foi um privilégio meu.


Outras pessoas também viram o que eu vi, mas algo aconteceu. 
Não..não caiu a conexão.
O que caiu foi minha crença no virtual. 


Essa descrença atende por Tchulim e ela é linda.


Uma linda que não cabe em JPG, nem em TIFF e nem PNG. Resumindo...não dá pra compactar, entende?


Digna de transposição imediata para qualquer anúncio da Vogue ou modelo de princesa da Disney, Tchulim é realmente "algo" que você homem - ou mulher - pararia para admirar.


Pois bem...daí vem a racionalização: tamanho fascínio é justificável? Tem base na realidade? Carece de mais investigações? E o que pensa essa imagem Tchulim?


Não dá pra elegê-la "musa" sem o "saber". O que sei sobre Tchulim?


Ela é mais do que você acha, já avisa sua Bio.


Enfim...eu paro por aqui em nome do romantismo.


Vou preservar o eterno que existe entre o que vi e aquilo que é Tchulim. O que é real, só ela sabe. O que "eu acho que é" é o que será compartilhado nas próximas partes.


É o mito que vive nos meus neurônios que vou narrar primeiro.


* Há uma pessoa  e o que ela diz é real. Suas fotos, seus tweets, seus retweets, sua aparência e seu "eu" inspiraram esses caracteres e necessariamente podem não ser mera ficção. 
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Como alguém se torna Tchulim - Parte 0

Prólogo. Algumas frases só podem ser escritas nas páginas da madrugada acompanhadas de latidos ou carros apressados em paralelepípedos. 

"Eu quero ser esquecido e não quero ser lembrado" é uma dessas. 

Julian Casablancas, um sórdido químico, deixou esse verso para aqueles que como Warhol sabem do vazio pós-qualquer-fama. Embora haja famas e famas, textos acadêmicos e textos acadêmicos, citações e cópias, curry e curry, o contemporâneo tempera nossa realidade com condimentos virtuais de primeira linha.

Casablancas assistiu todos os álbuns dos Strokes vazarem na web antes dos acionistas de uma gravadora lucrarem (eles ganham com os shows depois...inesquecível aquele TIM Festival em SP, neh?)

Assim como "Room on Fire", nossas vidas também caem na internet. 

Elas sobrevivem debaixo da água virtual. Ela são baixadas para todos os cantos e são detidas em dígitos. 

Enfim, depois do óbvio, posso contar uma história virtual: Como alguém se torna Tchulim








* Há uma pessoa  e o que ela diz é real. Suas fotos, seus tweets, seus retweets, sua aparência e seu "eu" inspiraram esses caracteres e necessariamente podem não ser mera ficção. 
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