quinta-feira, agosto 12, 2010

Como alguém se torna Tchulim - Parte 2

Parte 2: Mito*


Sem que me desse conta desses cálculos que somente nos atentamos após certa idade, passei de menino para moço e depois para rapaz em poucos anos. Agora o presente é tão presente que não há espaço para o tempo que eu reservava para sonhar acordado o que para alguns não leitores de fábulas também é devanear.


Um relâmpago digital trouxe o MGMT e depois trouxe em pouco menos de 709 MB o destino-manifesto de qualquer mulher chamada Marion Cottilard. 


Aquela francesa não perdia em nada para a Tchulim...certamente o mesmo abcesso entre as duas e eu era o grande virtual - primo do grande caos.


Cottillard veio antes e era comum nos beijarmos pela manhã. Um lábio para o outro sem medo de saliva e baixos decibéis. Um vento que aparecia sempre que eu queria e bagunçava seus cabelos castanhos e também sondava seu corpo pálido e digital. Ali continha fonte de prazer e destruição...a dialética perfeita dos grandes amores, virtuais ou não.


Cabe aqui um comentário: a pele que envolve o corpo de Cottilard (e de outras mulheres) é  muito suscetível a dedilhados. Conheci um vampiro dentro de mim que se alimentava de pele em arrepio da cintura e das partes internas das coxas.


Poucos minutos depois de um beijo Cotillard, um twitt me chamou a atenção e em poucos minutos de exposição a uma JPG estava eu em plena transferência. Depois de séculos enfeitiçado pela francesa, outra tomava meu corpo. Tchulim era um momento em dois. Era um caso sério.


Nascia uma musa dentro do meu mundo virtual. Mais um mito na vida de um homem que não vive sonhando acordado de graça...


Tchulim negociava ações de petrolíferas em colônias espaciais e tinha um pé no mundo das corridas de muscle cars. Recitava poemas com os olhos e recordava sinfonias como quem canta "parabéns". Ali residia algo profano além da minha vontade...naquele mito há uma exceção não declarada e incompreensível para aqueles como eu, devoram a vida e deixam as migalhas trituradas no chão virtual.


Toda essa devoção não é justificada, não mesmo. Que mulher em sã consciência quer justificativa para ser amada ou devorada? Eu não sei de Tchulim respirando, mas muito me agrada o calor de suas mãos sob o teclado de algum computador. Penso no privilégio das lentes de sua câmera que captam fotos que não vão para a internet, permanecendo imaculadas no cartão de memória.


Quem me dera um minuto de imagem ou uma centúria de suspiros da Tchulim, Srta. Cotillard...
Eu quero beber dois copos de Absolut Vanilla quando olhar de perto pra ela numa aparição....num encontro baixado da internet para a mesa de um bar de qualquer rua para viver uma pequena eternidade entre os olhos dela e os meus. Eu não gosto de romantismo, o que quero mesmo é ouvi-la e saber de alguma história somente disponível naquilo que não é virtual na vida dela.

* Há uma pessoa  e o que ela diz é real. Suas fotos, seus tweets, seus retweets, sua aparência e seu "eu" inspiraram esses caracteres e necessariamente podem não ser mera ficção. 
Este é 2º post de 14 outros sobre o "sim" do virtual.

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